Paciente de 64 anos de idade vem ao ambulatório trazendo resultado de densitometria óssea realizada no último mês, apresentada a seguir. Está assintomática, refere dieta balanceada, não tem antecedentes mórbidos relevantes e não usa medicamentos. Teve menopausa aos 53 anos de idade e não faz terapia hormonal.

T-score de -1 a -2,5 = osteopenia; ≤ -2,5 = osteoporose.
Osteopenia não significa automaticamente bisfosfonato: avalie fraturas e risco pelo FRAX.
Exercício de impacto ou sustentação de peso + força + equilíbrio é parte central do cuidado ósseo.
Cálcio deve ser preferencialmente obtido pela dieta; suplemento é para completar ingestão inadequada.
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Contexto
A densitometria apresenta T-score de -1,3 no colo do fêmur e -0,5 na medida total. Em mulher pós-menopausa, T-score entre -1,0 e -2,5 corresponde a baixa massa óssea ou osteopenia; T-score igual ou inferior a -2,5 define osteoporose. Portanto, a paciente tem osteopenia leve no colo, sem osteoporose densitométrica.
O Clinician's Guide da Bone Health and Osteoporosis Foundation de 2022 recomenda tratamento farmacológico em mulheres pós-menopausa e homens a partir de 50 anos quando existe fratura de quadril ou vértebra, T-score igual ou inferior a -2,5 ou osteopenia associada a risco elevado pelo FRAX, tipicamente risco em 10 anos de fratura de quadril de pelo menos 3% ou de fratura osteoporótica maior de pelo menos 20%, utilizando os limiares norte-americanos de referência.
A paciente não apresenta fratura por fragilidade, doença associada, medicamento de risco ou outro elemento que indique tratamento farmacológico imediato. A conduta central é atividade física regular com exercício de sustentação de peso, treinamento de força e exercícios de equilíbrio, além de ingestão adequada de cálcio e vitamina D, evitar tabagismo, limitar álcool e prevenir quedas.
Suplementação de cálcio não deve ser automática quando a ingestão alimentar é suficiente. Terapia hormonal sistêmica também não deve ser iniciada aos 64 anos, 11 anos após a menopausa, exclusivamente para tratar uma osteopenia leve, pois o balanço entre benefícios e riscos torna-se menos favorável quando iniciada mais tardiamente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Terapia hormonal pode prevenir perda óssea, mas não é a opção de primeira escolha para uma mulher assintomática de 64 anos, mais de 10 anos após a menopausa, com osteopenia leve e sem indicação específica de tratamento dos sintomas climatéricos.
B) Incorreta. Alendronato é apropriado para osteoporose ou osteopenia com risco de fratura suficientemente alto. O caso não fornece fratura prévia, T-score osteoporótico ou risco elevado que justifique bisfosfonato imediatamente.
C) Incorreta. Cálcio é necessário para saúde óssea, mas a suplementação só deve complementar ingestão insuficiente. Como a dieta é descrita como balanceada, não há justificativa para escolher suplemento isolado como principal conduta.
D) Correta (gabarito). Exercícios com carga e fortalecimento ajudam a preservar massa óssea, aumentam força e equilíbrio e reduzem risco de quedas. São a intervenção inicial mais apropriada para osteopenia leve sem alto risco descrito.