Homem de 24 anos de idade teve um quadro psicótico de início agudo há dois dias. Foi levado ao Pronto-Socorro por agitação psicomotora, onde recebeu haloperidol IM e prescrição para uso de haloperidol 10 mg/dia por via oral. Vem à consulta apresentando piora da agitação, não consegue se manter sentado durante a entrevista. Fica em pé balançando o corpo de um lado para o outro e esfrega as mãos com uma fisionomia angustiada.
Pegadinha central: acatisia é inquietação motora com sofrimento interno; não confunda com agitação causada pela própria psicose.
Distonia aguda: anticolinérgico. Parkinsonismo medicamentoso: reduzir ou trocar o antipsicótico e considerar anticolinérgico. Acatisia: rever o antipsicótico e pensar principalmente em propranolol ou outras opções sintomáticas.
Haloperidol, por ser antipsicótico de alta potência, tem risco elevado de efeitos extrapiramidais.
A questão foi anulada porque não há uma alternativa única que represente de forma inequívoca o manejo completo da acatisia.
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Contexto
O quadro é de acatisia aguda induzida por haloperidol. O dado que diferencia acatisia de simples agitação psicótica é a combinação de sofrimento subjetivo com necessidade irresistível de se mover: o paciente não consegue permanecer sentado, fica em pé, balança o corpo e demonstra angústia logo após iniciar um antipsicótico de alta potência e forte bloqueio dopaminérgico D2.
A estratégia atual começa por revisar o fármaco causal: reduzir a dose quando possível ou trocar para antipsicótico com menor propensão a sintomas extrapiramidais. Para controle sintomático, propranolol é o agente mais estudado; benzodiazepínicos ou mirtazapina podem ser usados em situações selecionadas. Anticolinérgicos são muito mais úteis na distonia aguda e no parkinsonismo medicamentoso e têm resposta menos consistente na acatisia isolada.
Esta questão foi anulada e não possui alternativa oficial única. Isso é coerente com a formulação: a alternativa A descreve uma conduta clinicamente defensável, mas não contempla todas as estratégias preferenciais e não permite estabelecer, com segurança, uma única resposta obrigatória.
Alternativa por alternativa
A) Alternativa defensável, sem gabarito válido. Um benzodiazepínico pode aliviar a acatisia e a troca do haloperidol por antipsicótico com menor risco extrapiramidal é uma estratégia apropriada. O problema é apresentá-la como única conduta possível, já que redução da dose e uso de propranolol, entre outras opções, também são recomendados conforme o caso.
B) Incorreta. Aumentar a dose de haloperidol intensifica o bloqueio dopaminérgico e tende a piorar a acatisia. Além disso, esperar duas semanas diante de sofrimento motor importante prolongaria um efeito adverso potencialmente grave.
C) Incorreta. Anticolinérgicos são escolhas clássicas para distonia aguda e podem ajudar no parkinsonismo induzido por antipsicótico. Na acatisia isolada, o benefício é menos consistente e eles não constituem a principal abordagem.
D) Incorreta. Suspender ou trocar o antipsicótico pode ser considerado, mas eletroconvulsoterapia não é tratamento da acatisia. ECT pode ser indicada para determinadas síndromes psiquiátricas graves, não para este efeito extrapiramidal.