Uma paciente mulher de 67 anos de idade é atendida no ambulatório da cirurgia de cabeça e pescoço e apresenta os seguintes exames laboratoriais:

Ca alto + PTH que não está suprimido = hiperparatireoidismo até prova em contrário.
Nefrolitíase ou T-score ≤ -2,5 já constituem indicação de paratireoidectomia no hiperparatireoidismo primário.
Localização por imagem planeja a cirurgia; quem faz o diagnóstico é a bioquímica.
Adenoma único é a causa mais comum da doença primária esporádica e pode ser tratado por exérese dirigida.
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Contexto
Os exames mostram hipercalcemia importante com PTH inadequadamente elevado: cálcio total 12,6 mg/dL, cálcio iônico elevado e PTH 105. Em uma pessoa hipercalcêmica, o PTH normal deveria estar suprimido. A ausência dessa supressão caracteriza hipercalcemia PTH-dependente e, no contexto apresentado, favorece fortemente hiperparatireoidismo primário.
A paciente apresenta ainda dois comprometimentos clássicos de órgão-alvo: nefrolitíase e progressão de osteopenia para osteoporose. O Fifth International Workshop on Primary Hyperparathyroidism de 2022 recomenda paratireoidectomia quando houver qualquer um dos seguintes critérios, entre outros: cálcio sérico mais de 1 mg/dL acima do limite superior, T-score igual ou inferior a -2,5, fratura vertebral, taxa de filtração glomerular inferior a 60 mL/min, nefrolitíase ou nefrocalcinose, hipercalciúria relevante ou idade inferior a 50 anos.
Na doença primária esporádica, a causa mais comum é um adenoma único. Nesses casos, após localização pré-operatória adequada, pode-se realizar paratireoidectomia direcionada com exérese da glândula anormal, frequentemente com monitorização intraoperatória de PTH conforme estratégia do serviço. Estudos de localização servem para planejar a operação, não para estabelecer o diagnóstico bioquímico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Paratireoidectomia total com autoenxerto é utilizada principalmente em doença multiglandular selecionada, como formas hereditárias ou hiperparatireoidismo renal. Não é a abordagem habitual de hiperparatireoidismo primário esporádico por adenoma único.
B) Incorreta. Diurético de alça não é tratamento definitivo do hiperparatireoidismo primário e pode piorar depleção volêmica. Esta paciente possui nefrolitíase e osteoporose, critérios claros para tratamento cirúrgico.
C) Correta (gabarito). A paciente tem hiperparatireoidismo primário com indicação formal de cirurgia por envolvimento renal e ósseo. Em doença de glândula única, a exérese da paratireoide acometida é o tratamento curativo.
D) Incorreta. Paratireoidectomia subtotal associada a timectomia é estratégia típica de doença multiglandular em síndromes hereditárias, especialmente MEN1 em contextos selecionados. Não é a operação padrão para adenoma esporádico único.