Distócias

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Questão 114
USP-SP · 2021

Primigesta de 21 anos de idade, está com 38 semanas de gestação e iniciou trabalho de parto espontâneo. O partograma e a cardiotocografia estão apresentados a seguir.

Figura da questão 114 da USP-SP 2021
Figura da questão

Qual é o método indicado para ultimação do parto?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O partograma mostra trabalho de parto avançado, com dilatação completa e apresentação cefálica profundamente descida. A representação da posição cefálica indica persistência de variedade occipitotransversa, enquanto a cardiotocografia é patológica e exige abreviação do nascimento. Nesse cenário, a alternativa deve resolver dois problemas ao mesmo tempo: rotação da cabeça e extração rápida.

O fórcipe de Kielland foi desenvolvido para rotações amplas da cabeça fetal, especialmente nas variedades occipitotransversa e occipitoposterior persistentes. Suas colheres possuem pequena curvatura pélvica, permitindo rotação ao redor do eixo fetal antes da tração. O procedimento exige dilatação completa, membranas rotas, cabeça insinuada, posição fetal precisamente conhecida, pelve considerada adequada, bexiga vazia, analgesia apropriada e operador experiente.

As recomendações contemporâneas para parto vaginal operatório reforçam que fórcipe rotacional deve ser realizado apenas por profissional treinado, em ambiente com capacidade de cesariana imediata caso a tentativa falhe. Quando a cabeça está muito baixa, uma cesariana de segundo período pode ser tecnicamente difícil e associar-se a trauma materno e fetal. Portanto, se os pré-requisitos estão preenchidos e há experiência disponível, a rotação com Kielland pode ser a forma mais rápida de resolver o parto.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. O vácuo extrator pode acompanhar alguma rotação espontânea durante a tração, mas não é o instrumento clássico para executar uma grande rotação ativa de uma variedade occipitotransversa persistente. Além disso, a urgência e a posição precisam ser consideradas pelo operador.

B) Incorreta. Cesárea é alternativa quando não existem condições ou experiência para parto vaginal operatório. Entretanto, com dilatação completa e cabeça profundamente descida, a extração abdominal pode ser tecnicamente difícil e mais demorada do que um fórcipe rotacional realizado por operador habilitado.

C) Incorreta. Não se deve aguardar parto espontâneo diante de cardiotocografia patológica e necessidade de abreviar o nascimento. A persistência da variedade transversa também indica distócia rotacional.

D) Correta (gabarito). O fórcipe de Kielland permite corrigir a variedade occipitotransversa por rotação e, em seguida, realizar a extração, desde que todos os pré-requisitos de parto vaginal operatório estejam presentes e haja operador experiente.

Bizu MedBoard
  • Kielland = fórcipe de rotação, especialmente para occipitotransversa persistente.

  • Fórcipe operatório exige dilatação completa, cabeça insinuada, posição conhecida, pelve adequada e analgesia.

  • Cabeça muito baixa no segundo período pode tornar a cesárea tecnicamente mais difícil.

  • Traçado fetal patológico elimina a opção de simplesmente aguardar evolução espontânea.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Distócias” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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