Homem de 65 anos de idade desenvolveu subitamente amaurose no olho esquerdo. O sintoma foi revertido em poucos minutos, mas voltou a ocorrer algumas horas depois, e na segunda oportunidade durou 2 horas. Tem doença arterial periférica e faz tratamento com antiagregantes plaquetários e estatinas. Foi realizada ultrassonografia com doppler colorido que mostrou estenose carotídea maior que 50% bilateralmente.
Amaurose monocular lateraliza para a carótida do mesmo lado.
70% a 99% sintomática: endarterectomia recomendada; 50% a 69%: considerar conforme perfil de benefício e risco.
Quando indicada, a revascularização deve ocorrer cedo, preferencialmente em até 14 dias do evento.
Stent é alternativa selecionada; endarterectomia continua referência para muitos pacientes sintomáticos operáveis.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A perda visual monocular transitória é amaurose fugaz, uma manifestação isquêmica do território carotídeo. A retina esquerda é irrigada pela artéria oftálmica, ramo da carótida interna esquerda. Portanto, a estenose que se torna sintomática neste caso é a carótida esquerda, mesmo que o Doppler mostre doença bilateral.
A diretriz ESVS de 2023 para doença carotídea recomenda endarterectomia para estenose carotídea sintomática de 70% a 99%, desde que o risco perioperatório de AVC ou morte seja inferior a 6%, e orienta considerar endarterectomia também para estenose de 50% a 69% em pacientes adequadamente selecionados. Quando a intervenção está indicada, deve ser realizada o mais rapidamente possível, preferencialmente dentro de 14 dias do último evento, período em que o risco de recorrência é maior.
O benefício deve ser combinado à melhor terapia clínica, incluindo antiagregação, estatina de alta intensidade, controle de pressão arterial, diabetes e tabagismo. O paciente já utiliza antiagregante e estatina, mas apresentou eventos oculares recorrentes, reforçando que a estenose esquerda é clinicamente ativa.
Stent carotídeo é alternativa em situações selecionadas, como risco cirúrgico elevado, anatomia desfavorável para endarterectomia ou outras condições específicas. Para pacientes sintomáticos em que se pretende revascularização precoce, a ESVS favorece endarterectomia em relação ao stent, sobretudo quando a cirurgia pode ser realizada com baixo risco.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A carótida direita não é o território responsável pela amaurose do olho esquerdo. Tratar uma estenose assintomática contralateral não oferece o mesmo benefício para prevenir recorrência do evento atual.
B) Incorreta. O lado esquerdo está correto, mas stent não é a estratégia preferencial de rotina para um paciente operável com estenose sintomática que pode ser tratado precocemente por endarterectomia.
C) Incorreta. Endarterectomia é a modalidade correta, porém no lado errado. A intervenção deve ser dirigida à carótida ipsilateral ao sintoma retinal, que neste caso é a esquerda.
D) Correta (gabarito). A amaurose fugaz esquerda torna a estenose da carótida esquerda sintomática. Em estenose sintomática maior que 50% e paciente cirurgicamente adequado, a endarterectomia é a estratégia que mais reduz risco de novos eventos cerebrovasculares.