Você, médico de uma Unidade Básica de Saúde, recebe uma paciente de 30 anos de idade, sem fatores de risco para câncer de mama, mas que acredita que fazer exames preventivos é a melhor forma de se cuidar. Por isso, solicita que você peça uma mamografia de rotina para ela.
Rastreamento indicado é prevenção secundária; evitar rastreamento inadequado é prevenção quaternária.
Em 2025, o Ministério da Saúde passou a priorizar mamografia bienal de 50 a 74 anos no SUS.
Prevenção quaternária não é deixar de cuidar; é evitar dano causado por cuidado sem benefício líquido.
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Contexto
A paciente tem 30 anos, é assintomática e não apresenta fatores de alto risco para câncer de mama. Fazer mamografia de rotina nessa idade oferece baixo benefício esperado e expõe a falso-positivo, exames adicionais, biópsias desnecessárias, ansiedade e sobrediagnóstico. Recusar uma intervenção sem indicação para proteger a paciente do excesso de cuidado é prevenção quaternária.
O Ministério da Saúde atualizou em 2025 a política de rastreamento mamográfico no SUS, mantendo como faixa prioritária 50 a 74 anos, a cada dois anos. Mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos podem ter acesso mediante decisão informada sobre riscos e benefícios, mas isso não cria indicação de rastreamento rotineiro aos 30 anos para mulher de risco habitual.
A pegadinha é pensar que qualquer exame para procurar câncer seja automaticamente prevenção secundária. O rastreamento indicado é prevenção secundária; evitar o rastreamento inadequado é prevenção quaternária.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Prevenção primária atua antes do desenvolvimento da doença, reduzindo exposição a fatores de risco ou aumentando proteção específica. Recusar mamografia inadequada não evita a carcinogênese, e sim uma intervenção desnecessária.
B) Incorreta. Mamografia de rastreamento, quando indicada para a população-alvo, é prevenção secundária. Neste caso, porém, a conduta proposta é justamente não rastrear uma mulher fora da faixa de benefício comprovado.
C) Incorreta. Prevenção terciária pressupõe doença já diagnosticada e busca reduzir dano, complicações, incapacidade ou recorrência. A paciente não tem câncer de mama conhecido.
D) Correta (gabarito). Evitar mamografia sem indicação em mulher jovem de risco habitual reduz falso-positivo, cascatas diagnósticas, sobrediagnóstico e iatrogenia, que são alvos clássicos da prevenção quaternária.