Homem de 72 anos de idade está internado em Unidade de Terapia Intensiva há dois dias, por diagnóstico de covid-19. O quadro iniciou-se há oito dias, com febre, anosmia, odinofagia e tosse. O diagnóstico foi feito quatro dias depois, e devido a saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente foi internado em enfermaria. Há 2 dias evoluiu com insuficiência respiratória demandando transferência à UTI e intubação orotraqueal. O médico assistente se prepara para avaliar o paciente no dia de hoje. O “box” de isolamento em que o paciente está internado não possui antecâmara. Antes de entrar, o médico já se encontra com uma máscara N95. Ele higieniza as mãos, veste o avental, coloca os óculos de proteção, adentra o box e calça as luvas de procedimento.
Luvas não substituem higiene das mãos. Higienize imediatamente antes de calçar e após retirar.
Se você higienizou as mãos e depois tocou equipamentos ou superfícies antes de colocar as luvas, higienize novamente.
N95 íntegra e bem ajustada não precisa ser trocada apenas porque foi colocada antes da entrada no quarto.
Em prova de paramentação, a banca costuma testar a sequência e o momento da higiene das mãos, não apenas a presença de cada EPI.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O princípio central da paramentação é que luvas não substituem higiene das mãos. A higiene deve ser realizada imediatamente antes de calçar as luvas e novamente após retirá-las. No cenário descrito, o médico higienizou as mãos, vestiu avental e óculos e depois entrou no box. Ao tocar superfícies, maçanetas ou outros elementos no trajeto, suas mãos podem ter sido recontaminadas. Portanto, antes de calçar as luvas já dentro do box, deveria realizar nova higiene das mãos.
As recomendações de prevenção e controle de infecções da OMS e do CDC mantêm a higiene das mãos como etapa essencial antes de contato com o paciente e antes de procedimentos limpos ou assépticos, mesmo quando se utilizarão luvas. Em atendimento a pacientes com infecção respiratória transmissível, a escolha do respirador e demais equipamentos depende do risco de exposição e de geração de aerossóis. Para um paciente intubado em UTI, o uso de respirador do tipo N95 ou equivalente é apropriado em situações com risco de aerossol.
O gabarito testa especificamente a sequência descrita. Não há necessidade de trocar uma N95 apenas porque ela já estava colocada antes da entrada, desde que esteja íntegra, limpa, seca, bem ajustada e de acordo com o protocolo institucional. O erro objetivo é ter deixado de higienizar novamente as mãos imediatamente antes de calçar as luvas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Houve falha na sequência porque a última higiene das mãos ocorreu antes de vestir outros equipamentos e antes de entrar no box. Se as luvas seriam colocadas apenas lá dentro, deveria haver nova higiene das mãos imediatamente antes de calçá-las.
B) Correta (gabarito). Ao entrar no box sem luvas, o médico deve higienizar as mãos novamente e só então calçá-las. Isso reduz a chance de contaminar a superfície externa da luva já no momento da colocação.
C) Incorreta. Uma máscara N95 adequadamente ajustada não precisa ser descartada e substituída simplesmente porque foi colocada antes da entrada. Troca é necessária conforme integridade, sujidade, umidade, contaminação ou protocolo institucional.
D) Incorreta. Calçar as luvas antes de entrar não é o ponto obrigatório testado. O essencial é que a higiene das mãos ocorra imediatamente antes do calçamento e que as luvas sejam usadas no momento indicado para o contato assistencial.