Homem de 72 anos de idade está internado em Unidade de Terapia Intensiva há dois dias, por diagnóstico de covid-19. O quadro iniciou-se há oito dias, com febre, anosmia, odinofagia e tosse. O diagnóstico foi feito quatro dias depois, e devido a saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente foi internado em enfermaria. Há 2 dias evoluiu com insuficiência respiratória demandando transferência à UTI e intubação orotraqueal. O médico assistente se prepara para avaliar o paciente no dia de hoje.
Duplo disparo por ciclagem precoce em pressão controlada: pense em aumentar o tempo inspiratório.
A correção da assincronia deve preservar ventilação protetora; sempre reavalie volume corrente, pressões e tempo expiratório após o ajuste.
PEEP trata outras necessidades fisiológicas; não é o ajuste principal para um problema de duração inspiratória.
Se o drive estiver excessivamente alto, também procure e trate causas como dor, febre, acidose e desconforto.
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Contexto
A questão anterior identifica duplo disparo por ciclagem precoce. Nesse mecanismo, o ventilador termina a inspiração antes de cessar o esforço inspiratório neural do paciente. Como o paciente continua tentando inspirar após a ciclagem, ele dispara imediatamente um segundo ciclo mecânico.
Em ventilação controlada a pressão, o término da inspiração depende do tempo inspiratório programado. Assim, quando o tempo inspiratório mecânico é menor que a demanda neural, uma medida direta é prolongá-lo. O objetivo é fazer o ciclo do ventilador acompanhar melhor a duração do esforço do paciente e reduzir o segundo disparo.
Na prática, a abordagem da assincronia é mais ampla: deve-se avaliar drive respiratório, dor, ansiedade, acidose, febre, fluxo e nível de assistência, além de revisar se a estratégia ventilatória continua protetora. Aumentar o tempo inspiratório não deve ser feito sem observar seus efeitos sobre relação I:E, tempo expiratório e risco de auto-PEEP. Entretanto, entre as opções da questão e diante do padrão mostrado, é a intervenção que corrige diretamente o mecanismo.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Aumentar o tempo inspiratório prolonga o ciclo mecânico e o aproxima do tempo inspiratório neural do paciente, reduzindo a chance de o esforço persistente gerar um segundo disparo.
B) Incorreta. Revisar o circuito seria a primeira ação se houvesse vazamento, condensado, obstrução ou desconexão. No duplo disparo típico, o problema principal é sincronização entre paciente e ventilador.
C) Incorreta. Aumentar a PEEP pode ser útil em situações como hipoxemia, recrutamento ou determinadas formas de auto-PEEP, mas não corrige diretamente ciclagem precoce causada por tempo inspiratório insuficiente.
D) Incorreta. Reduzir a pressão de pico diminui a assistência inspiratória e pode até aumentar a demanda do paciente se o suporte já estiver inadequado. Não resolve o descompasso entre a duração do esforço inspiratório e a duração do ciclo mecânico.