Menina, 8 anos de idade, há dois dias iniciou quadro de dor intensa no ouvido, que piora com qualquer manipulação no local e saída de secreção purulenta malcheirosa. Tem antecedente de dermatite atópica, refere fazer natação duas vezes por semana e tem o hábito de higienizar os ouvidos com cotonete. Segue abaixo uma imagem da inspeção do local.

Dor ao puxar a orelha ou pressionar o trago = pense em otite externa, não otite média.
Natação + cotonete criam o cenário perfeito: umidade e lesão da barreira do conduto.
Os dois agentes clássicos são Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus.
Otite externa simples é tratada preferencialmente com terapia tópica.
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Contexto
O quadro é clássico de otite externa aguda difusa, o chamado ouvido do nadador. As pistas são dor intensa que piora com manipulação da orelha, otorreia purulenta, exposição repetida à água e microtrauma do conduto por cotonetes. A fotografia mostra inflamação do conduto auditivo externo com secreção, reforçando esse diagnóstico.
A diretriz da American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery de 2014, ainda referência específica para otite externa aguda difusa, destaca que a doença é quase sempre bacteriana e que os agentes predominantes são Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. Natação aumenta a umidade do conduto e altera sua barreira protetora; cotonetes provocam abrasões e removem cerúmen, facilitando colonização bacteriana.
Embora a questão peça apenas o agente, o tratamento habitual da otite externa não complicada é tópico, com gotas antimicrobianas, eventualmente associadas a corticosteroide, além de analgesia e manutenção do conduto seco. Antibiótico sistêmico não é rotina, salvo extensão para tecidos adjacentes ou fatores do hospedeiro que indiquem maior risco.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Haemophilus influenzae é agente clássico de otite média aguda, especialmente em crianças, mas não é um dos patógenos predominantes da otite externa do nadador.
B) Incorreta. Staphylococcus epidermidis faz parte da microbiota cutânea e não é o agente mais característico da otite externa aguda. Entre os estafilococos, Staphylococcus aureus é muito mais relevante.
C) Incorreta. Streptococcus pneumoniae é uma das principais causas de otite média aguda, infecção do ouvido médio. A dor provocada pela manipulação do pavilhão ou do trago aponta para doença do conduto externo.
D) Correta (gabarito). Pseudomonas aeruginosa é um dos principais agentes da otite externa aguda e é especialmente lembrada quando há exposição frequente à água, como nesta criança que pratica natação.