Infecções congênitas (STORCH)

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Questão 116
USP-SP · 2021

Gestante de 23 anos de idade está em sua primeira gestação. Iniciou o pré-natal com 19 semanas de gestação. Está em acompanhamento irregular na UBS pois trabalha como atendente em um pet Shop e está sem tempo para as consultas. Vem encaminhada ao pré-natal de alto risco com 25 semanas de gestação com os exames descritos a seguir.

Figura da questão 116 da USP-SP 2021
Figura da questão

Qual é a conduta pré-natal imediata?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Os exames mostram IgG e IgM reagentes para toxoplasmose em uma gestante de 25 semanas, situação que levanta suspeita de infecção materna adquirida durante a gestação. IgM reagente isoladamente não data a infecção, porque pode permanecer positivo por muitos meses. É necessário revisar sorologias anteriores e, quando aplicável, utilizar teste de avidez de IgG para auxiliar na cronologia, lembrando que sua maior utilidade ocorre no início da gestação.

Enquanto se esclarece a infecção e não há comprovação de infecção fetal, a conduta clássica é iniciar espiramicina. O objetivo é reduzir a transmissão transplacentária do Toxoplasma gondii. A investigação fetal inclui ultrassonografia detalhada e, quando indicada, PCR para Toxoplasma no líquido amniótico, geralmente após 18 semanas e respeitando intervalo adequado desde a provável infecção materna para reduzir falso-negativo.

Quando a infecção fetal é confirmada ou há forte evidência de acometimento fetal, utiliza-se esquema com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico após o primeiro trimestre. Pirimetamina é antagonista do folato e deve ser evitada no início da gestação. Espiramicina não é habitualmente combinada à pirimetamina como esquema padrão.

A imagem ultrassonográfica apresentada não demonstra de forma inequívoca, por si só, um achado fetal específico que permita declarar infecção fetal confirmada. Assim, mantendo o gabarito da prova, a conduta imediata é espiramicina enquanto se completa a investigação materno-fetal.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Ácido fólico não trata toxoplasmose. Além disso, quando pirimetamina é utilizada, a proteção hematológica é feita com ácido folínico, não simplesmente com aumento inespecífico de ácido fólico.

B) Incorreta. Pirimetamina e sulfadiazina são usadas quando há confirmação ou forte suspeita de infecção fetal e após o primeiro trimestre. Na situação apresentada, a infecção fetal ainda não está demonstrada.

C) Correta (gabarito). Espiramicina isolada é a conduta imediata clássica para suspeita de infecção materna recente enquanto se investiga transmissão fetal, com o objetivo de reduzir passagem transplacentária.

D) Incorreta. Espiramicina não é associada de rotina à pirimetamina. Quando se muda para terapia fetal, o esquema clássico é pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico.

Bizu MedBoard
  • Suspeita de toxoplasmose materna sem infecção fetal comprovada = espiramicina.

  • Infecção fetal confirmada após o primeiro trimestre = pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico.

  • IgM positivo não significa necessariamente infecção recente; pode persistir por meses.

  • Avidez de IgG é mais útil para excluir infecção recente quando realizada precocemente na gestação.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções congênitas (STORCH)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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