O agente comunitário traz para a reunião da equipe de Saúde da Família o caso de uma puérpera de 17 anos de idade que está em casa com seu recém-nascido (RN) de 3 dias de vida, após alta do Hospital Universitário naquele dia. Fez pré-natal na Unidade Básica de Saúde a partir dos cinco meses de gestação, sem intercorrências e os exames de rotina foram normais. Segundo informações do hospital, a criança nasceu de parto vaginal, a termo, Peso= 2.800g, sem intercorrências. Saiu do hospital com aleitamento materno exclusivo, recebeu BCG e uma dose da vacina para o vírus da hepatite B, foi registrada.
Puérpera + RN recém-chegados em casa: primeira semana é janela obrigatória de atenção da APS.
A regulamentação atual prevê visita domiciliar até o 7º dia após parto e nascimento.
A primeira consulta do RN deve ocorrer na primeira semana, idealmente entre o 3º e o 5º dia.
Visita domiciliar não é só olhar o bebê: avalie o binômio, o aleitamento e o contexto familiar.
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Contexto
O binômio mãe-recém-nascido está em uma janela de cuidado prioritária. A regulamentação atual da Rede Alyne, incorporada à Portaria de Consolidação nº 3 e atualizada pela Portaria GM/MS nº 5.350 de 2024, determina que as equipes de Atenção Primária acompanhem puérpera e criança, incluindo visita domiciliar regular até o 7º dia após o parto e nascimento. A linha de cuidado do Ministério da Saúde também recomenda a primeira avaliação do recém-nascido na primeira semana, idealmente entre o 3º e o 5º dia.
A visita precoce permite avaliar simultaneamente o recém-nascido e a puérpera. No bebê, observam-se sucção, mamadas, hidratação, diurese, evacuações, icterícia, temperatura, atividade, coto umbilical, vacinação e realização das triagens neonatais. Na mãe, avaliam-se sangramento, dor, febre, mamas, cicatrização, estado emocional, suporte familiar, contracepção e sinais de complicação puerperal.
Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses deve ser apoiado ativamente, corrigindo pega e posição e identificando precocemente fissuras, ingurgitamento ou percepção de baixa produção. A adolescência materna acrescenta vulnerabilidades sociais que justificam atenção cuidadosa, mas não muda a lógica: o cuidado deve permanecer coordenado pela APS e próximo do domicílio.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não há indicação de transferir o seguimento de um recém-nascido a termo e sem intercorrências para o pediatra do hospital. A APS é responsável pelo acompanhamento longitudinal e pela avaliação precoce após a alta.
B) Incorreta. Aguardar até um mês perde uma janela crítica. Problemas de alimentação, icterícia, desidratação, infecção e dificuldades puerperais podem surgir nos primeiros dias e devem ser identificados precocemente.
C) Incorreta. Grupo de apoio pode ser útil para uma mãe adolescente, mas é medida complementar. Não substitui a avaliação clínica imediata do binômio na primeira semana.
D) Correta (gabarito). A visita domiciliar ainda na primeira semana permite avaliar mãe e bebê no ambiente familiar, detectar sinais de perigo, revisar triagens e vacinas e apoiar a manutenção do aleitamento materno exclusivo.