ITU e refluxo vesicoureteral

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Questão 57
USP-SP · 2021

Menina, 7 meses de idade, previamente hígida, está internada em enfermaria devido a doença diarreica aguda. Há 4 dias, iniciada febre de até 38,3oC associada a vômitos e diarreia, com 7 a 8 episódios de fezes líquidas sem muco ou sangue. Há 2 dias, deu entrada no Pronto-Socorro com quadro de desidratação grave, recebeu expansão endovenosa, e foi mantida internada com soroterapia endovenosa devido à baixa aceitação alimentar. A soroterapia foi suspensa ontem e hoje a criança está em bom estado geral, hidratada, sem nenhuma alteração ao exame clínico, já em programação de alta hospitalar. A mãe refere que a aceitação oral foi recuperada, e que ainda apresenta 2 a 3 episódios de fezes semipastosas, já sem vômitos e sem novas queixas. Nos controles de enfermagem, notados 2 picos febris acima de 39,0oC nesta madrugada, sendo que a paciente já estava afebril há 72 horas.

O exame que mais provavelmente revelará a causa do retorno da febre é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A criança estava em recuperação de uma gastroenterite aguda, já afebril havia 72 horas, hidratada, com aceitação oral restabelecida e diarreia em resolução. O aparecimento de nova febre alta, acima de 39 °C, após período de melhora deve ser encarado como um novo evento até prova em contrário, e não simplesmente como continuação da gastroenterite.

Em lactentes, infecção do trato urinário pode se apresentar apenas com febre, sem disúria, polaciúria ou dor lombar. Por isso, diante de febre sem foco evidente nessa faixa etária, urina deve ser investigada. O exame que confirma o diagnóstico é a urocultura obtida por método adequado, idealmente cateterismo vesical ou punção suprapúbica em crianças sem controle esfincteriano quando é necessária cultura confiável. Saco coletor pode ser útil para triagem em alguns contextos, mas uma cultura positiva obtida dessa forma tem alta possibilidade de contaminação.

A diarreia está diminuindo, não há sangue ou muco e o estado geral melhorou, o que reduz a probabilidade de uma enterocolite bacteriana invasiva persistente. Também não há sintomas respiratórios que tornem pesquisa de vírus respiratórios o exame de maior rendimento. Parasitose intestinal, por sua vez, não costuma explicar reaparecimento abrupto de febre alta em lactente hospitalizada.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Cultura de fezes é mais útil quando há diarreia inflamatória, sangue, toxemia, suspeita de surto ou evolução prolongada selecionada. A paciente está com o quadro intestinal em regressão, sem características invasivas.

B) Incorreta. Pesquisa de vírus respiratórios teria maior rendimento diante de coriza, tosse, desconforto respiratório ou outro foco respiratório. Nenhum desses achados é descrito.

C) Incorreta. Exame protoparasitológico é indicado em cenários de diarreia prolongada, epidemiologia específica ou suspeita parasitária. Não explica bem febre alta que reaparece subitamente após melhora clínica.

D) Correta (gabarito). Urocultura é o exame mais provável de revelar um foco oculto em uma lactente com nova febre alta sem localização clínica. Nessa idade, ITU frequentemente se manifesta apenas por febre e sintomas inespecíficos.

Bizu MedBoard
  • Febre alta sem foco em lactente: lembre sempre de ITU.

  • Urocultura é o exame confirmatório e deve ser colhida por método que minimize contaminação.

  • Febre que reaparece após 72 horas de melhora merece procura de um novo foco, não ancoragem no diagnóstico inicial.

  • Diarreia em resolução, sem sangue ou toxemia, torna coprocultura menos provável de resolver a questão.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “ITU e refluxo vesicoureteral” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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