Homem de 17 anos de idade procura o Pronto-Socorro por lesão em perna esquerda após trauma local há 4 dias. Hoje está com febre (39,5oC). Foto da lesão mostrada a seguir.

Questão de lista de antibióticos: todos precisam funcionar. Um único fármaco sem cobertura do agente torna a alternativa errada.
Erisipela é tipicamente estreptocócica, superficial, eritematosa e mais bem delimitada que a celulite.
Para tratamento real, prefira o antimicrobiano mais estreito que cubra estreptococos quando o quadro permitir; cobertura anti-MRSA é reservada para contextos de risco ou maior gravidade.
Aminoglicosídeo isolado e metronidazol são pegadinhas frequentes quando a banca pergunta cobertura de estreptococos.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
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Contexto
A fotografia mostra uma placa eritematosa extensa, edemaciada, brilhante e relativamente bem delimitada na perna, associada a febre alta após solução de continuidade por trauma, quadro compatível com erisipela. A erisipela compromete predominantemente derme superficial e vasos linfáticos e é classicamente causada por estreptococos beta-hemolíticos, sobretudo Streptococcus pyogenes.
A diretriz da IDSA de 2014 para infecções de pele e partes moles recomenda que celulite/erisipela não purulenta típica receba antibiótico ativo contra estreptococos. Na prática, beta-lactâmicos de espectro estreito são preferidos quando apropriados. A questão, porém, não pergunta qual seria o esquema de primeira escolha; ela testa espectro antibacteriano e exige que todos os fármacos da alternativa possam atuar, como monoterapia, contra o agente principal.
Linezolida, vancomicina, oxacilina e teicoplanina possuem atividade contra estreptococos Gram-positivos e, por isso, formam o único conjunto integralmente compatível. Isso não significa que linezolida ou glicopeptídeos devam ser usados rotineiramente em uma erisipela estreptocócica sensível; seriam opções excessivamente amplas em muitos cenários.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Clindamicina, cloranfenicol e tigeciclina podem ter atividade contra estreptococos, mas a amicacina, como aminoglicosídeo, não é adequada como monoterapia para infecção estreptocócica. Basta um fármaco sem cobertura confiável para invalidar toda a alternativa.
B) Correta (gabarito). Linezolida, vancomicina, oxacilina e teicoplanina apresentam atividade contra Streptococcus pyogenes. A alternativa é correta pelo espectro dos quatro fármacos, embora alguns sejam amplos demais para a terapia habitual de uma erisipela não complicada.
C) Incorreta. Penicilina e oxacilina cobrem estreptococos, mas gentamicina não é monoterapia apropriada para Streptococcus pyogenes. Além disso, macrolídeos como claritromicina podem sofrer resistência e não são a opção mais confiável quando se exige cobertura isolada do agente.
D) Incorreta. Vancomicina, oxacilina e linezolida cobrem estreptococos, mas metronidazol atua principalmente contra anaeróbios e protozoários e não oferece cobertura adequada para Streptococcus pyogenes.