Gestante de 32 anos de idade, secundigesta e primípara, vem para a primeira consulta de pré-natal com 8 semanas e 2 dias de gestação. Está preocupada pois tem lúpus eritematoso sistêmico com acometimento cutâneo, articular e hematológico. Refere última crise há 7 meses e está em uso de hidroxicloroquina 400 mg e prednisona 10 mg por dia.
LES na gestação: hidroxicloroquina fica.
Prednisona e prednisolona podem ser usadas, preferindo a menor dose capaz de controlar a doença.
Não confunda com micofenolato, metotrexato e leflunomida, que devem ser evitados na gestação.
Doença ativa na concepção aumenta complicações maternas e fetais, por isso planejamento e controle pré-concepcional importam muito.
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Contexto
A gestante tem lúpus eritematoso sistêmico com doença aparentemente controlada e está usando hidroxicloroquina 400 mg/dia e prednisona 10 mg/dia. O princípio central é que atividade materna do lúpus é mais perigosa para mãe e feto do que a manutenção criteriosa de medicamentos compatíveis com a gestação.
A atualização EULAR 2024 sobre antirreumáticos na reprodução, publicada em 2025, considera hidroxicloroquina e glicocorticoides compatíveis com a gestação. Recomendações específicas de lúpus também orientam manter hidroxicloroquina antes da concepção e durante toda a gravidez, pois sua suspensão aumenta o risco de flare materno e pode piorar desfechos obstétricos.
Prednisona ou prednisolona pode ser utilizada quando necessária porque a placenta metaboliza grande parte do fármaco antes que alcance o feto. Entretanto, glicocorticoides não são isentos de risco: uso prolongado e doses maiores se associam a diabetes gestacional, hipertensão, infecção e prematuridade. Por isso, a meta é menor dose eficaz e redução quando a atividade da doença permitir, nunca suspensão abrupta sem avaliação.
Além da medicação, a gestação com LES é de alto risco. Deve-se avaliar função renal, complemento, anti-dsDNA, anticorpos antifosfolípides, anti-Ro/SSA e anti-La/SSB e discutir ácido acetilsalicílico em baixa dose para prevenção de pré-eclâmpsia conforme perfil de risco.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hidroxicloroquina deve ser mantida. Retirá-la pode precipitar reativação do LES e não oferece benefício fetal que compense esse risco.
B) Correta (gabarito). Hidroxicloroquina deve continuar durante a gestação, e prednisona em baixa dose pode ser mantida se necessária para controle materno, com tentativa de usar a menor dose eficaz ao longo do seguimento.
C) Incorreta. Suspender simultaneamente os dois medicamentos aumenta o risco de flare justamente no início da gravidez e não está de acordo com as recomendações atuais de segurança medicamentosa.
D) Incorreta. Prednisona não é automaticamente contraindicada no primeiro trimestre. Ela pode ser utilizada quando clinicamente necessária; a decisão é reduzir exposição desnecessária, não interromper de forma indiscriminada.