Avaliação da vitalidade fetal

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Questão 113
USP-SP · 2021

Primigesta de 21 anos de idade, está com 38 semanas de gestação e iniciou trabalho de parto espontâneo. O partograma e a cardiotocografia estão apresentados a seguir.

Figura da questão 113 da USP-SP 2021
Figura da questão

A fisiopatologia do traçado da cardiotocografia apresentado inclui:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A cardiotocografia mostra um padrão intraparto francamente anormal, com variabilidade muito reduzida associada a desacelerações recorrentes relacionadas às contrações. A variabilidade da frequência cardíaca fetal depende da integridade do sistema nervoso autonômico e de adequada oxigenação do sistema nervoso central. Quando a hipóxia se prolonga, instala-se metabolismo anaeróbio, produção de lactato e acidose metabólica, podendo ocorrer perda progressiva da variabilidade.

Na avaliação fisiopatológica da cardiotocografia, desacelerações isoladas não devem ser interpretadas fora do contexto. Compressão cefálica produz tipicamente desacelerações precoces, simétricas e geralmente benignas. Compressão do cordão produz desacelerações variáveis, de início e recuperação abruptos. Já desacelerações repetidas acompanhadas de variabilidade mínima ou ausente elevam muito a preocupação com hipóxia significativa e acidemia fetal.

O consenso da FIGO de 2015 sobre monitorização fetal intraparto enfatiza que a combinação de alterações da linha de base, variabilidade reduzida e desacelerações patológicas indica maior probabilidade de comprometimento hipóxico. No traçado apresentado, o conjunto é mais compatível com acidemia fetal do que com um mecanismo mecânico isolado.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Compressão funicular é o mecanismo clássico das desacelerações variáveis. Ela pode contribuir para hipóxia quando repetitiva, mas não explica isoladamente o padrão global com perda importante da variabilidade, que indica comprometimento fetal mais avançado.

B) Incorreta. Compressão do polo cefálico produz desacelerações precoces, que acompanham a contração e costumam ocorrer com variabilidade preservada. Esse é um padrão fisiológico relacionado à estimulação vagal, não o traçado de alto risco mostrado.

C) Incorreta. Bloqueio atrioventricular fetal causa bradicardia persistente, frequentemente com frequência ventricular baixa e dissociação entre atividade atrial e ventricular. Não produz esse padrão de desacelerações recorrentes ligadas às contrações.

D) Correta (gabarito). A associação de desacelerações recorrentes com variabilidade muito reduzida é compatível com hipóxia prolongada e acidemia fetal, situação que exige avaliação e resolução obstétrica rápida conforme o contexto clínico.

Bizu MedBoard
  • Desaceleração repetida + variabilidade ausente ou muito reduzida = pense em acidemia fetal.

  • Precoce lembra compressão cefálica; variável lembra compressão de cordão; tardia lembra insuficiência uteroplacentária.

  • O mecanismo da acidemia é hipóxia prolongada com metabolismo anaeróbio e acúmulo de lactato.

  • Na prova, não interprete a morfologia da desaceleração sem olhar a variabilidade da linha de base.

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Bia
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