Resposta metabólica ao trauma, nutrição e cicatrização

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Questão 66
USP-SP · 2022

Mulher, 47 anos de idade, foi submetida a laparotomia exploradora devido a obstrução intestinal por tumor no cólon direito. Foi realizada colectomia direita com ileostomia terminal. Tem diabete melito, hipertensão arterial não controlada e é tabagista. No 4o pós-operatório apresentou saída de líquido serohemático pela ferida operatória. Hoje, encontra-se no 7o pósoperatório e a imagem da ferida está representada pela imagem a seguir.

Figura da questão 66 da USP-SP 2022
Figura da questão

Nesta paciente, quais são os fatores de risco para esta complicação?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A saída de líquido serohemático pela ferida no quarto pós-operatório é o clássico sinal de alerta para deiscência aponeurótica. A imagem do sétimo dia mostra abertura importante da ferida, compatível com falha da parede abdominal. Esse tipo de complicação costuma aparecer entre o quinto e o décimo dia, quando a resistência da ferida depende fortemente da sutura porque a deposição e organização de colágeno ainda são insuficientes.

Fatores de risco incluem cirurgia de urgência, infecção de ferida, desnutrição, neoplasia, tabagismo, diabetes, uso de corticoide, obesidade, aumento da pressão intra-abdominal e técnica inadequada de fechamento. Entre as alternativas, cirurgia de urgência, doença neoplástica e tabagismo formam o conjunto mais consistente. O diabetes da paciente também prejudica cicatrização, mas a opção que o inclui associa hipertensão arterial, que não é um fator clássico de igual relevância para deiscência.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Cirurgia de urgência aumenta o risco, mas ileostomia por si só não é fator clássico determinante de deiscência aponeurótica, e hipertensão arterial isolada também não é um dos principais fatores discriminadores.

B) Correta (gabarito). Cirurgia de urgência reduz a possibilidade de otimização pré-operatória, neoplasia associa-se a catabolismo e pior cicatrização, e tabagismo compromete perfusão e oxigenação tecidual. Os três aumentam o risco de falha da ferida.

C) Incorreta. Diabetes e tabagismo são fatores verdadeiros, mas a hipertensão arterial não é um fator clássico de magnitude comparável aos componentes da alternativa B. Por isso, não é o melhor conjunto.

D) Incorreta. Neoplasia e diabetes podem contribuir para má cicatrização, mas a ileostomia não é, por si só, o fator que completa o conjunto mais típico de risco para deiscência.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é reconhecer o aviso precoce: drenagem serohemática súbita pela ferida pode preceder deiscência aponeurótica.

  • Urgência, neoplasia, infecção, desnutrição, tabagismo e diabetes são fatores importantes de falha da cicatrização.

  • Deiscência com evisceração é emergência cirúrgica e exige proteção das vísceras e reabordagem imediata.

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Bia
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