Homem, 80 anos de idade, engenheiro aposentado, procura ambulatório de geriatria por estar cada vez mais esquecido há 2 anos, desde a morte de sua esposa. Apresenta tristeza ocasional quando se lembra da esposa. A filha refere que há 1 ano está morando junto com o paciente pois ele não estava se alimentando bem e estava com dificuldade de realizar os afazeres domésticos. Ao exame clinico, apresenta-se repetitivo, com dificuldade de terminar frases. Semiologia cardio-pulmonar e abdominal sem alterações. O Miniexame do estado mental é de 24/30 (normal >= 28).
A pegadinha é atribuir o quadro ao luto: perda de autonomia e déficit cognitivo objetivo progressivo exigem investigação de síndrome neurocognitiva.
TSH, vitamina B12 e neuroimagem estrutural permanecem pilares práticos da avaliação inicial.
Atualização: diretrizes contemporâneas individualizam HIV e sífilis conforme risco/suspeita, embora provas mais antigas frequentemente os coloquem no painel rotineiro de causas reversíveis.
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Contexto
O paciente tem declínio cognitivo progressivo com perda funcional: além de déficit no Miniexame do Estado Mental, passou a precisar da filha para alimentação e afazeres domésticos, está repetitivo e apresenta dificuldade de linguagem. Isso é mais compatível com síndrome neurocognitiva do que com luto isolado. A investigação inicial deve procurar condições clínicas que possam causar ou agravar déficit cognitivo e realizar neuroimagem estrutural para excluir lesões tratáveis e caracterizar doença cerebrovascular ou padrão de atrofia.
A diretriz DETeCD-ADRD da Alzheimer's Association, publicada em 2025, recomenda um painel laboratorial inicial amplo e neuroimagem estrutural, preferencialmente ressonância sem contraste quando disponível, com tomografia como alternativa. TSH e vitamina B12 estão entre os exames de primeira linha. Há uma diferença importante em relação ao raciocínio clássico da questão: sorologias para sífilis e HIV não precisam ser universais na avaliação contemporânea e são mais bem indicadas conforme risco e suspeita clínica. Ainda assim, entre as alternativas fornecidas, a letra C é a melhor porque reúne B12, função tireoidiana e neuroimagem e inclui duas causas infecciosas tratáveis que historicamente compõem o rastreio de causas reversíveis.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Vitamina D, sorologia para citomegalovírus e herpes simples não constituem o núcleo da investigação rotineira de um declínio cognitivo crônico progressivo. Herpes simples causaria tipicamente encefalite aguda, não evolução insidiosa por 2 anos.
B) Incorreta. B1 pode ser útil se houver suspeita de deficiência de tiamina, especialmente em etilismo ou desnutrição, mas B1 e B6 não substituem a pesquisa de B12 e função tireoidiana. Glicemia e perfil lipídico avaliam risco metabólico e vascular, mas não formam o conjunto mais apropriado entre as opções.
C) Correta (gabarito). É a opção que melhor reúne causas tratáveis relevantes, com vitamina B12, TSH/T4 livre e neuroimagem estrutural. Sífilis e HIV podem causar comprometimento cognitivo e devem ser pesquisados quando o contexto clínico ou epidemiológico justificar; a prova os apresenta como parte do painel clássico.
D) Incorreta. Hemograma, função renal, eletrólitos e cálcio podem integrar avaliação clínica ampla, mas a opção omite vitamina B12 e não oferece a melhor composição específica para investigação etiológica do declínio cognitivo entre as alternativas. Coagulograma e ferro sérico não são exames centrais de rotina para esse objetivo.