Lactente, sexo feminino, 11 meses de vida, está em consulta ambulatorial de rotina. Trata-se de criança prematura, nascida de 35 semanas, com peso de nascimento de 2110 g, sem intercorrências durante o seguimento. Na consulta de hoje, a maior preocupação da mãe é que a criança não engatinha. Na avaliação realizada na consulta, notado que a criança imita a mãe ao bater palmas, faz movimentos de pinça para pegar objetos, reage a uma conversa como se estivesse respondendo, mas com sons incompreensíveis, sem falar nenhuma palavra. Ela fica em pé com apoio, mas realmente não engatinha quando colocada de bruços.
A pegadinha central é tratar engatinhar como marco obrigatório. Algumas crianças nunca engatinham.
Prematuros: usar idade corrigida para desenvolvimento até aproximadamente 2 anos, especialmente nas aquisições iniciais.
Desenvolvimento se julga pelo conjunto dos domínios motor, linguagem, social e cognitivo, não por uma única habilidade.
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Contexto
Uma criança nascida com 35 semanas é prematura tardia. Para avaliação do desenvolvimento nos primeiros 2 anos, pode-se considerar a idade corrigida, subtraindo da idade cronológica as semanas que faltaram para 40 semanas. Como nasceu 5 semanas antes do termo, aos 11 meses cronológicos sua idade corrigida é de aproximadamente 9 meses e 3 semanas. Mesmo sem essa correção, os marcos descritos são tranquilizadores.
A lactente apresenta interação social, imitação de palmas, vocalizações responsivas, pinça para objetos e capacidade de ficar em pé com apoio. Engatinhar não é marco obrigatório e algumas crianças passam diretamente de outras formas de mobilidade para ficar em pé, realizar marcha lateral com apoio e depois caminhar. O CDC retirou o engatinhar de sua lista de marcos de vigilância justamente porque não é adquirido por todas as crianças e não funciona bem como marco isolado.
Quanto à linguagem, aos 11 meses não falar palavra com significado ainda não define atraso quando há balbucio, resposta social e comunicação pré-verbal presentes. A avaliação do desenvolvimento deve considerar o conjunto dos domínios, e não uma habilidade motora isolada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A prematuridade deve ser considerada pela idade corrigida, mas não é necessário justificar um atraso que não está demonstrado. A criança possui aquisições motoras, sociais e comunicativas compatíveis com a faixa etária.
B) Incorreta. Ausência isolada de engatinhar não caracteriza atraso motor, principalmente quando a criança já consegue sustentar-se em pé com apoio. Não há indicação de fisioterapia apenas por não engatinhar.
C) Correta (gabarito). O conjunto das aquisições é compatível com desenvolvimento esperado, inclusive quando considerada a idade corrigida. Não há sinal de alarme que exija investigação ou intervenção específica neste momento, mantendo-se a vigilância rotineira do desenvolvimento.
D) Incorreta. Não há atraso motor ou de linguagem documentado, e eletroencefalograma não é exame de triagem para atraso do desenvolvimento. EEG seria indicado em contextos específicos, como suspeita de crises epilépticas ou determinadas encefalopatias.