Mulher, 31 anos de idade, com obesidade grau 1 está internada devido a pancreatite aguda leve. Evoluiu com melhora da dor, 2 dias após o início dos sintomas. Tem diabete melito tipo 2 e hipotireoidismo. Foi submetida a ultrassonografia de abdome que evidenciou vesícula biliar de paredes finas, sem cálculos e com via biliar de 0,4 cm. Nega uso abusivo de álcool.
A pegadinha central é não pedir tomografia automaticamente: pancreatite leve em melhora não precisa de TC de rotina.
Pancreatite sem cálculo no ultrassom e sem álcool: pense em microlitíase e barro biliar.
ACG 2024: pancreatite idiopática merece investigação adicional com ultrassom repetido, RM/MRCP e/ou ecoendoscopia.
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Contexto
A paciente tem pancreatite aguda leve em melhora e não apresenta causa evidente na avaliação inicial: ultrassonografia sem cálculos ou dilatação de via biliar e ausência de abuso de álcool. A ACG Clinical Guideline de Pancreatite Aguda de 2024 recomenda, na pancreatite aguda idiopática, investigação adicional com repetição da ultrassonografia, ressonância com colangiopancreatografia e/ou ecoendoscopia.
A ecoendoscopia tem alta sensibilidade para microlitíase, barro biliar e pequenos cálculos que podem passar despercebidos na ultrassonografia transabdominal. Também pode identificar alterações pancreáticas ou periampulares ocultas. Nesta mulher jovem com primeiro episódio leve e sem etiologia definida, é o melhor próximo passo entre as alternativas.
Tomografia contrastada não é exame obrigatório de rotina quando o diagnóstico de pancreatite já está estabelecido e o paciente melhora clinicamente. Ela é mais útil quando há dúvida diagnóstica ou ausência de melhora após 48 a 72 horas, quando se deseja avaliar necrose ou complicações locais.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A ecoendoscopia é adequada para procurar microlitíase e outras causas ocultas de pancreatite biliar quando a ultrassonografia transabdominal é negativa e não existe outra etiologia evidente.
B) Incorreta. Colecistectomia é indicada quando se estabelece etiologia biliar ou em situações selecionadas de pancreatite idiopática recorrente. Não se deve operar a vesícula normal de uma paciente após um primeiro episódio sem melhor esclarecimento etiológico.
C) Incorreta. Ácido ursodesoxicólico não é tratamento padrão para pancreatite aguda idiopática e não substitui a investigação de microlitíase ou outras causas.
D) Incorreta. Em pancreatite leve com melhora rápida, a tomografia não acrescenta informação necessária de rotina e não é o melhor exame para detectar microlitíase.