A CORONAVAC é uma vacina inativada e adjuvantada contra o SARS-CoV-2, desenvolvida pela farmacêutica SINOVAC. Em estudo realizado em 16 centros de pesquisa clínica no Brasil, Palácios et al demonstraram uma prevenção de infecção sintomática confirmada por RT-PCR pelo SARS-CoV-2 de 50,7% (IC95%: 36,0% - 62,0%). Em estudo clínico realizado em 24 centros na Turquia a eficácia da CORONAVAC para o mesmo desfecho foi de 83,5% (IC95%: 65,4% - 92,1%). Já no Chile, a efetividade da CORONAVAC em mais de cinco milhões de vacinados foi de 65,9% (IC95%: 65,2% - 66,6%) na prevenção de infecção sintomática laboratorialmente confirmada pelo SARSCoV-2 (98,1% dos casos confirmados por RT-PCR e 1,9% por teste de antígeno).
A pegadinha é comparar diretamente eficácia de ensaio clínico com efetividade de vida real.
Antes de comparar percentuais, confira desenho, população, período, variante circulante, definição de desfecho e intervalo de confiança.
CoronaVac é vacina de SARS-CoV-2 inativado e adjuvado.
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Contexto
As porcentagens apresentadas não podem ser comparadas como se viessem do mesmo experimento. Eficácia é estimada em condições controladas de ensaio clínico randomizado; efetividade é medida no uso real, sujeito a diferenças de população, circulação viral, adesão, intervalo entre doses, critérios de inclusão, definição de caso e exposição ao vírus. Brasil e Turquia produziram estimativas de eficácia em ensaios clínicos, enquanto o estudo chileno estimou efetividade em milhões de pessoas vacinadas em condições reais.
Mesmo entre ensaios clínicos, resultados podem divergir quando mudam o perfil dos participantes e a força de exposição. Um estudo realizado em profissionais de saúde muito expostos ao SARS-CoV-2 pode produzir uma estimativa diferente de outro conduzido em população com risco basal distinto. Além disso, a amplitude do intervalo de confiança informa a precisão da estimativa e depende, entre outros fatores, do número de eventos observados.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Os desenhos e objetivos não são equivalentes: há ensaios clínicos de eficácia e estudo de efetividade em vida real. Diferenças de população, exposição, definição operacional do desfecho e contexto epidemiológico podem produzir estimativas distintas sem que isso represente contradição.
B) Incorreta. A frase chama os três estudos de ensaios clínicos, o que é falso. O estudo chileno é uma avaliação de efetividade em população vacinada, e não um ensaio randomizado semelhante aos estudos do Brasil e da Turquia.
C) Incorreta. Não é correto concluir apenas pela inspeção dos percentuais que a diferença entre os três resultados não seja significativa. Os intervalos de confiança descrevem a incerteza de cada estimativa, mas uma comparação formal entre estudos exigiria análise estatística específica e consideração de heterogeneidade.
D) Incorreta. A CoronaVac utiliza vírus inativado, não vírus vivo atenuado. Além disso, a alternativa tenta explicar diferenças de estudos por uma característica vacinal que nem corresponde à plataforma em questão.