Homem, 19 anos de idade, foi vítima de ferimento por arma branca no dorso. Na sala emergência encontrava-se: A: Via aérea pérvia. Saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente. B: Ausculta pulmonar sem alteração. C: PA: 140 x 80 mmHg; FC: 90 bpm; Tempo de enchimento capilar normal. FAST abdominal negativo. D: Escala de Coma de Glasgow: 15. E: Ausência de dor abdominal; sondagem vesical com diurese clara. Toque retal sem alterações. Ferimento no dorso conforme imagem a seguir. Realizada radiografia de tórax na sala de emergência, que não evidenciou alterações. Realizada hemostasia local.

A pegadinha central é confiar demais no FAST: FAST negativo não exclui trauma retroperitoneal.
Ferimento penetrante de flanco ou dorso + estabilidade hemodinâmica + exame confiável: tomografia é ferramenta central de seleção.
Instabilidade, peritonite ou evisceração mudariam a estratégia para exploração operatória imediata.
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Contexto
O paciente apresenta ferimento por arma branca no dorso, está hemodinamicamente estável, sem peritonite, com FAST negativo e radiografia de tórax normal. Isso permite manejo seletivo não operatório com investigação por imagem, em vez de laparotomia ou laparoscopia imediatas. A localização posterior é particularmente importante porque lesões retroperitoneais podem produzir pouco líquido livre e escapar ao FAST.
As diretrizes da WSES de 2022 para trauma intestinal penetrante destacam que a tomografia é o exame de escolha para ferimentos de flanco e dorso em pacientes estáveis. A TC contrastada pode definir o trajeto, avaliar fígado, baço, rins, pâncreas, retroperitônio, grandes vasos, intestino e sinais indiretos de perfuração. O FAST negativo não exclui lesão retroperitoneal nem lesão de víscera oca.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Sutura e profilaxia antitetânica podem fazer parte do cuidado da ferida depois da avaliação, mas fechar o ferimento sem estudar sua profundidade e trajeto pode deixar uma lesão abdominal ou retroperitoneal oculta.
B) Incorreta. Laparoscopia exploradora pode ser útil em situações selecionadas, principalmente quando se deseja avaliar violação peritoneal ou diafragma, mas não é a primeira escolha em paciente posterior estável quando a tomografia pode mapear o trajeto e as lesões associadas.
C) Correta (gabarito). Tomografia de abdome com contraste é a melhor próxima etapa para um ferimento penetrante posterior em paciente estável, porque avalia o retroperitônio e ajuda a selecionar quem pode permanecer em observação e quem necessita intervenção.
D) Incorreta. Ausculta pulmonar e radiografia de tórax são normais, sem indício de hemotórax, pneumotórax ou lesão torácica que justifique toracoscopia imediata.