O município de São Paulo tem 12,4 milhões de pessoas e a seguinte distribuição de renda e raça entre seus vários distritos administrativos: No mês de maio de 2021, durante a pandemia da COVID-19 foram construídos os seguintes mapas de mortalidade por COVID-19 e da cobertura vacinal para SARS-Cov2 na cidade.

A pegadinha central é classificar corretamente: critério de prioridade, oferta e organização do serviço pertencem à vulnerabilidade programática.
Raça, renda, moradia e condições de trabalho são componentes da dimensão social.
Mapas ecológicos identificam desigualdades territoriais, mas não permitem atribuir causalidade individual apenas pela sobreposição visual.
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Contexto
O conceito de vulnerabilidade em saúde costuma ser analisado em três dimensões interdependentes. A dimensão individual envolve conhecimentos, percepções, capacidade de adotar medidas protetoras e condições pessoais. A dimensão social envolve renda, raça, escolaridade, moradia, trabalho e outras relações sociais que moldam exposição e acesso. A dimensão programática diz respeito à forma como políticas, serviços e programas organizam recursos, definem prioridades e respondem às necessidades dos diferentes grupos.
Os mapas mostram forte desigualdade territorial em São Paulo: distritos com maior renda não coincidem com aqueles de maior concentração de população negra, e há distribuição heterogênea de vacinação e mortalidade por COVID-19. Na lógica da questão, uma política de priorização baseada principalmente em idade e comorbidades, embora clinicamente justificável para reduzir formas graves, pode deixar de incorporar suficientemente desigualdades territoriais, raciais e socioeconômicas. Esse efeito pertence à dimensão programática porque decorre do desenho e da implementação da política pública. Os mapas são ecológicos e mostram padrões territoriais; não demonstram causalidade individual.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A definição de critérios de acesso à vacinação é uma decisão programática. Se os critérios não incorporam adequadamente desigualdades sociais e territoriais que influenciam exposição, adoecimento e acesso, a própria organização da resposta pode reproduzir vulnerabilidades entre grupos.
B) Incorreta. A dimensão individual não desaparece porque as estratégias incluem vacinação, máscaras e rastreamento de contatos. Compreensão do risco, possibilidade concreta de usar máscara, adesão às recomendações e decisão de buscar vacinação também envolvem componentes individuais.
C) Incorreta. Vulnerabilidade programática é especialmente aplicável a pandemias, porque disponibilidade de vacinas e testes, critérios de prioridade, organização territorial, horários, comunicação e acesso aos serviços são elementos centrais da resposta.
D) Incorreta. A alternativa afirma de modo absoluto que raça, renda e acesso não foram considerados em nenhuma estratégia. Os mapas demonstram desigualdades territoriais, mas não permitem concluir isoladamente que toda a dimensão social tenha sido ignorada. A questão procura destacar a interação dessas desigualdades com decisões programáticas de priorização.