Mulher de 66 anos de idade, diabética e hipertensa, em uso de enalapril e metformina, comparece a consulta ambulatorial com queixa de astenia e turvação visual há 2 dias. É encaminhada ao Departamento de Emergência após realizar o seguinte eletrocardiograma.

A pegadinha central é separar as etapas: cálcio protege o coração, mas não reduz o K sérico.
ECG alterado por hipercalemia exige cálcio IV imediatamente; depois vêm medidas de redistribuição e eliminação do potássio.
Progressão clássica: T apiculada, prolongamento de PR e perda de P, alargamento de QRS e, nos casos extremos, padrão sinusoidal.
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Contexto
O eletrocardiograma apresenta alterações compatíveis com hipercalemia com toxicidade elétrica, incluindo bradicardia, ondas T altas e apiculadas e distúrbio de condução com alargamento dos complexos. O enalapril reduz a produção de aldosterona e pode favorecer retenção de potássio, sobretudo na presença de disfunção renal ou outros fatores associados.
Na hipercalemia com alterações eletrocardiográficas, a prioridade é estabilizar a membrana miocárdica com cálcio intravenoso. O Resuscitation Council UK 2025 recomenda, na hipercalemia grave com alteração no ECG, 10 mL de cloreto de cálcio a 10% IV em 5 minutos ou, se este não estiver disponível, 30 mL de gluconato de cálcio a 10% em 10 minutos. O cálcio age em minutos, mas não reduz a concentração sérica de potássio. Depois devem ser iniciadas medidas para deslocar K para o intracelular, como insulina com glicose e beta-2 agonista, e para remover potássio do organismo conforme a causa e a gravidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Atropina pode ser utilizada em algumas bradicardias sintomáticas, mas não corrige a instabilidade de membrana causada pela hipercalemia e pode ter pouca eficácia enquanto a alteração metabólica persistir.
B) Incorreta. Marcapasso transcutâneo pode ser necessário em bradicardia instável refratária, mas a hipercalemia grave pode elevar o limiar de captura e tornar a estimulação ineficaz. A primeira intervenção etiológica diante do ECG típico é cálcio intravenoso.
C) Correta (gabarito). O gluconato de cálcio estabiliza rapidamente a membrana cardíaca e reduz o risco imediato de arritmias malignas. Não baixa o potássio, por isso deve ser seguido por terapias de redistribuição e remoção do K.
D) Incorreta. O traçado é metabólico e não apresenta um padrão de oclusão coronariana que justifique trombólise. Administrar fibrinolítico não trata a hipercalemia e acrescentaria risco hemorrágico.