Antibioticoterapia, espectro e resistência

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Questão 65
USP-SP · 2022

Mulher, 43 anos de idade, foi admitida no serviço de emergência devido a dor no hipocôndrio direito. Ao exame físico apresentava sinal de Murphy positivo. Tem hipertensão arterial e diabete melito controlados com medicamentos. Realizados exames bioquímicos que evidenciaram leucograma de 14.373/mm3 e PCR de 45 mg/L. O ultrassom evidenciou espessamento e delaminação da parede da vesícula biliar, com cálculo impactado no infundíbulo. Foi submetida a colecistectomia laparoscópica que evidenciou intenso processo inflamatório perivesicular. Realizada punção da vesícula, com saída de bile escura.

Neste cenário, qual é o tempo de antibiótico preconizado?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A paciente foi submetida a colecistectomia laparoscópica com retirada completa do foco infeccioso. Apesar do processo inflamatório intenso, não há descrição de perfuração, abscesso, peritonite, bacteremia ou infecção residual. A Surgical Infection Society de 2022 recomenda não manter antibiótico pós-operatório em colecistite aguda leve ou moderada após colecistectomia com controle adequado do foco. Recomendações internacionais de infecção intra-abdominal publicadas em 2024 seguem o mesmo princípio.

Por isso, o gabarito de até 24 horas deve ser interpretado como limite máximo de um esquema perioperatório curto. Na prática contemporânea, em colecistite não complicada com controle de foco completo, muitas vezes o antimicrobiano é encerrado após a cirurgia, sem necessidade de completar 24 horas. Cursos de vários dias ficam reservados para doença grave, perfuração, abscesso, bacteremia, controle de foco incompleto ou outras complicações.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Com colecistectomia bem-sucedida e sem infecção residual descrita, não há benefício em prolongar antibiótico. Até 24 horas representa o máximo aceitável na lógica da questão, sendo possível suspensão ainda mais precoce pelas recomendações atuais.

B) Incorreta. Manter 72 horas após controle completo do foco aumenta exposição a eventos adversos e seleção de resistência sem benefício demonstrado em doença não complicada.

C) Incorreta. Cinco dias são excessivos para colecistite sem perfuração ou foco residual após colecistectomia. Durações mais longas pertencem a infecção complicada ou doença grave selecionada.

D) Incorreta. Sete dias representam tratamento desnecessariamente prolongado no cenário apresentado e contrariam princípios atuais de stewardship antimicrobiano.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é pensar que inflamação intensa na cirurgia exige antibiótico prolongado. O que manda é controle de foco e presença de complicação residual.

  • Após colecistectomia de colecistite leve ou moderada não complicada, recomendações atuais permitem suspender antibiótico no pós-operatório.

  • O gabarito até 24 horas permanece compatível como teto de um esquema perioperatório curto.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Antibioticoterapia, espectro e resistência” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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