Mulher de 22 anos de idade trabalha como auxiliar de limpeza em um grande hospital há 2 anos. Hoje procura ambulatório de clínica médica pois há 6 meses apresenta episódios de tosse e, às vezes, falta de ar durante o dia, que costumam melhorar à noite. Estes episódios estão se tornando mais frequentes. Não costuma apresentar tais sintomas aos finais de semana. Não sabe referir se teve febre. Nega antecedentes mórbidos relevantes e nunca fumou. Ao exame clínico presença de discretos sibilos expiratórios à ausculta pulmonar, sem outras alterações relevantes. A radiografia de tórax realizada há 15 dias é apresentada.

A pegadinha central é o padrão temporal: piora no trabalho e melhora nos fins de semana é pista clássica de asma relacionada ao trabalho.
Para demonstrar nexo ocupacional, compare pico de fluxo seriado durante exposição e afastamento, além de confirmar objetivamente a presença de asma.
GINA 2026 mantém que adultos com asma não devem ser tratados apenas com SABA; a estratégia deve conter corticosteroide inalatório.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Os sintomas começaram na vida adulta e apresentam relação temporal muito clara com o trabalho: tosse e dispneia durante os dias de atividade, melhora à noite e ausência habitual nos finais de semana. A radiografia de tórax é essencialmente normal, como frequentemente ocorre na asma. Esse padrão deve levantar suspeita de asma ocupacional ou asma exacerbada pelo trabalho.
O GINA 2026 orienta que pacientes com asma de início na vida adulta sejam questionados sobre alérgenos e irritantes no trabalho e sobre melhora dos sintomas quando afastados da exposição. O diagnóstico deve ser confirmado objetivamente. Uma estratégia clássica para demonstrar relação ocupacional é realizar medidas seriadas do pico de fluxo expiratório durante períodos no trabalho e fora dele, usando o mesmo aparelho e registrando sistematicamente os valores. A comparação permite demonstrar queda reprodutível da função pulmonar relacionada à exposição. Espirometria com teste broncodilatador também integra a confirmação de asma, e suspeita de origem ocupacional deve motivar avaliação especializada precoce.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Medidas seriadas de pico de fluxo no trabalho e em casa permitem comparar a função pulmonar durante exposição e afastamento e são úteis para documentar objetivamente a relação entre sintomas e ambiente ocupacional.
B) Incorreta. A paciente não apresenta exacerbação grave que justifique automaticamente prednisona sistêmica. Um afastamento curto com corticoide pode melhorar sintomas, mas altera a exposição e o tratamento ao mesmo tempo, dificultando a demonstração diagnóstica da relação ocupacional.
C) Incorreta. Tomografia de tórax não é exame inicial para confirmar asma ocupacional quando radiografia e quadro clínico não sugerem outra doença estrutural. Além disso, broncodilatador de longa duração isolado, sem corticosteroide inalatório, não é estratégia apropriada para tratamento de asma.
D) Incorreta. O GINA 2026 não recomenda tratamento baseado apenas em SABA, como salbutamol isolado, para adultos com asma. Além disso, orientar mudança definitiva de área antes de documentar objetivamente a relação ocupacional pode ter consequências profissionais e econômicas importantes; a confirmação deve ser buscada precocemente.