Homem de 46 anos de idade com obesidade grau 3 é admitido no Departamento de Emergência. Tem febre há 10 dias, associada a dispneia progressiva e tosse nos últimos 3 dias. Ao exame clínico, apresenta-se taquipneico, com saturação de oxigênio de 84% em ar ambiente. Ausculta pulmonar com raros sibilos e estertores em bases, principalmente à direita. O ultrassom pulmonar, protocolo BLUE, demonstra deslizamento pleural e a seguinte imagem nos seis pontos.

A pegadinha central é lembrar que linha B significa síndrome intersticial, não uma etiologia específica.
Asma costuma preservar padrão A; pneumonia bacteriana tende a produzir consolidação focal; TEP pode produzir consolidações periféricas pequenas.
No contexto de febre, tosse e hipoxemia, linhas B bilaterais e alterações pleurais podem apoiar COVID-19, mas não substituem confirmação etiológica quando necessária.
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Contexto
O ultrassom pulmonar mostra múltiplas linhas B, artefatos verticais hiperecogênicos que nascem da linha pleural, alcançam o fundo da tela sem se apagar e se movem com o deslizamento pleural. Quando numerosas e distribuídas bilateralmente, traduzem síndrome intersticial, isto é, aumento de líquido ou densidade no interstício pulmonar. O paciente apresenta febre há 10 dias, tosse, dispneia progressiva e hipoxemia grave, combinação que favorece pneumonia viral por COVID-19 entre as alternativas.
Há uma nuance importante do protocolo BLUE: o chamado perfil B, com deslizamento pleural preservado e linhas B anteriores difusas, foi originalmente associado sobretudo ao edema pulmonar cardiogênico. Portanto, linhas B não são específicas de COVID-19. Na infecção por SARS-CoV-2, o ultrassom pode mostrar linhas B focais ou confluentes, irregularidade da linha pleural e pequenas consolidações subpleurais. O diagnóstico etiológico depende do contexto clínico e, quando indicado, de teste microbiológico. Nesta questão, a síndrome febril respiratória prolongada sem sinais de insuficiência cardíaca torna COVID-19 a melhor resposta disponível.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pneumonia bacteriana pode produzir linhas B adjacentes a uma consolidação, mas o achado ultrassonográfico mais característico é consolidação focal ou lobar, frequentemente com broncograma aéreo dinâmico. A demonstração de padrão intersticial semelhante nos seis pontos, associada à síndrome viral e à hipoxemia, favorece COVID-19.
B) Incorreta. Na exacerbação de asma, o parênquima pulmonar costuma permanecer aerado e o ultrassom tende a mostrar padrão A, com deslizamento pleural e linhas A horizontais. Linhas B difusas não são explicadas por broncoespasmo isolado.
C) Correta (gabarito). Febre prolongada, tosse, hipoxemia intensa e padrão intersticial bilateral ao ultrassom são compatíveis com pneumonia viral por COVID-19. O ultrassom sustenta acometimento intersticial, embora não seja específico para SARS-CoV-2.
D) Incorreta. Tromboembolismo pulmonar pode apresentar ultrassom pulmonar normal ou pequenas consolidações periféricas triangulares, frequentemente associado a sinais de trombose venosa profunda ou sobrecarga de ventrículo direito. O padrão intersticial difuso descrito não é o típico de infarto pulmonar.