Com o aumento das coberturas vacinais no Brasil, a partir do final da década de 1990, observou-se uma marcante redução na incidência das doenças preveníveis por vacinação. Isso não se verificou em relação à coqueluche. Na década passada (2011 2020) o número médio anual de casos confirmados no pais foi acima de 3.000.
A pegadinha é pensar apenas em cobertura vacinal global: o lactente pequeno ainda está em janela de susceptibilidade.
Esquema primário com componente pertussis ocorre aos 2, 4 e 6 meses; a proteção não está completa desde o nascimento.
Vacinação materna com dTpa em cada gestação é estratégia central para proteger o recém-nascido e o lactente jovem.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A coqueluche permanece relevante mesmo em cenários de alta cobertura vacinal porque a proteção não é uniforme ao longo da vida e porque os lactentes pequenos ainda não completaram sua imunização. No calendário infantil brasileiro, a vacina com componente pertussis é administrada no esquema primário aos 2, 4 e 6 meses, com reforços posteriores. Assim, os primeiros meses de vida formam uma janela de maior suscetibilidade e também de maior risco de doença grave, hospitalização e morte.
O Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, 6ª edição de 2024, e as atualizações de vigilância mantêm atenção especial aos menores de 1 ano. A vacinação materna com dTpa em cada gestação reduz essa janela de vulnerabilidade por transferência transplacentária de anticorpos. A redação da alternativa fala em casos antes do reforço vacinal; epidemiologicamente, o ponto decisivo é que muitos casos se concentram antes de a criança completar proteção suficiente pelo esquema vacinal, especialmente nos primeiros meses.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não é correto generalizar que vacinas contra bactérias têm baixa imunogenicidade. Diversas vacinas bacterianas são altamente efetivas. No caso da coqueluche, existem particularidades como redução da proteção ao longo do tempo e vulnerabilidade dos lactentes ainda não completamente imunizados.
B) Incorreta. A Bordetella pertussis sofre variações genéticas e há discussão sobre pressão seletiva vacinal, mas não se pode explicar a persistência da doença simplesmente por predomínio de linhagens que escapam completamente da vacina. Esse não é o mecanismo epidemiológico central cobrado.
C) Correta (gabarito). Os lactentes menores de 1 ano concentram importante carga de doença, sobretudo antes de completarem o esquema primário e adquirirem proteção adequada. Esse período de susceptibilidade ajuda a manter a ocorrência de casos apesar da vacinação populacional.
D) Incorreta. A incorporação de PCR pode aumentar sensibilidade diagnóstica e melhorar detecção de casos, mas isso não explica por si só a manutenção histórica da transmissão. A questão procura uma característica epidemiológica da susceptibilidade populacional.