Tumores de testículo e de pênis

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 73
USP-SP · 2022

Homem, 28 anos de idade, procura atendimento médico com queixa de dor e aumento do volume do testículo direito, há dois meses. Nega trauma local. Ao exame físico apresenta testículo direito aumentado cerca de 5 vezes o normal, endurecido e doloroso. Não há hiperemia da pele escrotal e o epidídimo direito está normal. Realizou ultrassonografia que mostrou o testículo direito com 13 cm no maior diâmetro, com componente sólido e heterogêneo, e áreas de necrose e hemorragia. O testículo esquerdo está normal. Indicada realização de tomografia de tórax e abdome.

Qual é a conduta neste momento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Uma massa intratesticular sólida em homem jovem deve ser considerada neoplasia maligna, principalmente tumor de células germinativas, até prova em contrário. A ultrassonografia mostra testículo muito aumentado, com componente sólido heterogêneo, necrose e hemorragia, achados altamente suspeitos. O estadiamento inclui tomografia de tórax, abdome e pelve conforme o contexto, mas a abordagem inicial do tumor primário segue princípios próprios.

As EAU Guidelines on Testicular Cancer recomendam dosar alfafetoproteína, beta-hCG e LDH antes da orquiectomia, porque esses marcadores ajudam no diagnóstico, estadiamento, estratificação prognóstica e acompanhamento. AFP elevada exclui seminoma puro; beta-hCG pode estar elevada em tumores seminomatosos ou não seminomatosos; LDH é menos específica e se relaciona à carga tumoral.

O tratamento diagnóstico e terapêutico inicial é orquiectomia radical por via inguinal com ligadura alta do cordão espermático. Biópsia percutânea ou abordagem transescrotal deve ser evitada em uma massa típica porque viola os planos escrotais, pode alterar drenagem linfática e não oferece vantagem sobre a orquiectomia inguinal padrão.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). AFP, beta-hCG e LDH são os três marcadores séricos clássicos que devem ser obtidos antes da cirurgia, e a orquiectomia radical por inguinotomia é a abordagem padrão para massa testicular suspeita de câncer.

B) Incorreta. CEA e CA 72.4 não são marcadores de rotina para tumores germinativos testiculares. Além disso, biópsia com agulha grossa por via escrotal deve ser evitada na apresentação típica.

C) Incorreta. Os marcadores estão corretos, mas a conduta cirúrgica está errada. Não se realiza biópsia percutânea de rotina de massa testicular sólida suspeita; remove-se o testículo pela via inguinal para diagnóstico histológico e tratamento inicial.

D) Incorreta. A orquiectomia inguinal está correta, mas CEA e CA 72.4 não substituem AFP e beta-hCG na avaliação de tumor germinativo testicular.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é: massa intratesticular suspeita não se biopsia pelo escroto. A via é inguinal.

  • Antes da orquiectomia: AFP, beta-hCG e LDH.

  • AFP elevada não é compatível com seminoma puro e indica componente não seminomatoso até prova em contrário.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Tumores de testículo e de pênis” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →