Recém-nascido, sexo feminino, 24 horas de vida, está no alojamento conjunto. Nascida com idade gestacional de 40 semanas e 2 dias, parto fórcipe, Apgar 8/9, peso de 3.950 g, com período expulsivo prolongado. Criança recebeu vacina de hepatite B, nitrato de prata ocular e vitamina K intramuscular. Pré-natal sem anormalidades. Ao exame clínico, criança em bom estado geral, e a inspeção da cabeça mostrou a presença de um abaulamento (Figura A), cujos limites anatômicos estão esquematicamente representados abaixo (figura B). Sem outras alterações significativas.

A pegadinha central é a anatomia: cefalohematoma não cruza suturas.
Cefalohematoma: observar e monitorar icterícia. Não puncionar de rotina.
Hemorragia subgaleal cruza suturas, pode expandir rapidamente e pode causar choque hemorrágico.
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Contexto
O parto fórcipe, o período expulsivo prolongado e a coleção craniana localizada favorecem cefalohematoma. Trata-se de hemorragia entre o osso craniano e o periósteo. Como o periósteo se fixa às suturas, a coleção fica restrita a um único osso e não cruza linhas de sutura, exatamente como está esquematizado na Figura B.
O cefalohematoma costuma surgir nas primeiras horas após o parto e regride espontaneamente ao longo de semanas. A principal complicação prática é a hiperbilirrubinemia decorrente da degradação do sangue acumulado; coleções maiores também podem associar-se a anemia e, mais raramente, calcificação. Por isso, o recém-nascido estável necessita observação clínica e vigilância da icterícia.
É importante diferenciar de caput succedaneum, edema de partes moles que pode atravessar suturas, e de hemorragia subgaleal, que se espalha amplamente pelo couro cabeludo, cruza suturas e pode acumular grande volume sanguíneo com choque. A imagem da questão não mostra esse padrão difuso.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O quadro é típico de cefalohematoma sem repercussão sistêmica. A conduta é expectante, acompanhando tamanho da coleção, estado geral e desenvolvimento de hiperbilirrubinemia.
B) Incorreta. Cefalohematoma não deve ser aspirado ou drenado rotineiramente. A punção cria porta de entrada para infecção, inclusive osteomielite, e a maioria das coleções desaparece espontaneamente.
C) Incorreta. Ressonância magnética não é necessária em uma apresentação típica e em recém-nascido neurologicamente normal. Neuroimagem é reservada para dúvida diagnóstica, trauma associado importante ou suspeita de complicação intracraniana.
D) Incorreta. O recém-nascido já recebeu vitamina K e o cefalohematoma traumático não indica uma segunda dose de rotina. A coleção decorre do trauma do parto e da ruptura vascular subperiosteal, não de deficiência presumida de vitamina K.