Homem, 62 anos de idade, é admitido no serviço de emergência devido a dor abdominal em cólica, vômitos e distensão abdominal há 4 dias. Última evacuação há 5 dias e, desde então, não elimina gases. Refere cólica abdominal há 3 meses, com vômitos esporádicos que melhorava com jejum e medicamento antiespasmódico. Tem hipertensão arterial controlada e nega operações abdominais prévias. Ao exame físico: Bom estado, desidratado, eupneico. Abdome: distendido, ruídos hidroaéreos aumentados, doloroso à palpação profunda sem irritação peritoneal. Toque retal: sem fezes na ampola. Exames laboratoriais: Hb: 10,9 g/dL; Ht: 38%; Creatinina: 2,9 mg/dL; Ureia: 110 mg/dL. Demais exames sem alterações. Realizada a tomografia de abdome apresentada.

A pegadinha central é localizar a obstrução pela imagem: alças de delgado dilatadas apontam para obstrução de intestino delgado.
Obstrução mecânica: cólica, vômitos, distensão, obstipação e ruídos inicialmente aumentados.
Abdome virgem obriga a procurar causas além de aderência pós-operatória, principalmente hérnia e neoplasia.
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Contexto
O quadro é de obstrução intestinal mecânica: dor em cólica, vômitos, distensão, parada de eliminação de fezes e gases e ruídos hidroaéreos aumentados. A tomografia mostra múltiplas alças de intestino delgado dilatadas e preenchidas por conteúdo líquido e gás, com padrão compatível com obstrução de delgado. O cólon não apresenta a dilatação predominante que seria esperada em uma obstrução distal do sigmoide.
Na obstrução mecânica de delgado, a tomografia é o exame que melhor localiza a zona de transição, identifica a causa e procura sinais de complicação, como alça fechada, redução de realce parietal, pneumatoses, líquido livre ou congestão mesentérica. A ausência de cirurgias abdominais prévias reduz a probabilidade de aderências pós-operatórias e aumenta a importância de procurar hérnia, neoplasia, doença inflamatória ou outras causas estruturais.
A creatinina de 2,9 mg/dL e ureia de 110 mg/dL, em paciente desidratado após vários dias de vômitos e baixa ingesta, sugerem importante repercussão volêmica e exigem ressuscitação com cristaloide, correção eletrolítica e descompressão gastrointestinal conforme o caso, em paralelo à avaliação cirúrgica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Uma obstrução no sigmoide produziria dilatação colônica a montante, com cólon mais proeminente que as alças de delgado. A tomografia apresentada mostra padrão predominante de intestino delgado.
B) Incorreta. Síndrome de Ogilvie é pseudo-obstrução aguda do cólon, geralmente em paciente hospitalizado, gravemente enfermo, pós-operatório ou com distúrbio metabólico. Não há causa mecânica e a dilatação é colônica, especialmente de ceco e cólon direito.
C) Correta (gabarito). A clínica é típica de obstrução mecânica e a tomografia evidencia dilatação de alças de intestino delgado, localizando o abdome agudo obstrutivo ao nível do delgado.
D) Incorreta. Íleo paralítico costuma produzir dilatação mais difusa de intestino delgado e cólon, sem ponto de transição mecânico, e os ruídos hidroaéreos tendem a estar diminuídos ou ausentes, não aumentados como no caso.