Gestante de 25 anos de idade, 31 semanas e 2 dias de gestação, chega ao pronto atendimento com queixa de coriza, tosse e febre há 5 dias. Hoje amanheceu com falta de ar. Nega doenças prévias. Ao exame clínico, REG, descorada+/4, hidratada, FC= 122 bpm; T= 37,9°C, Saturação 89%, bulhas rítmicas em dois tempos sem sopros, murmúrios vesiculares presentes e diminuídos em hemitórax direito roncos e sibilos bilaterais, altura uterina de 30cm, BCF presente e rítmico, dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal. Durante o atendimento inicial foi realizada a seguinte cardiotocografia:

A pegadinha central é: estabilização materna é parte da ressuscitação fetal.
Oxigênio não deve ser usado rotineiramente em mãe normoxêmica só por CTG alterado, mas é claramente indicado quando a mãe está hipoxêmica, como aqui.
Alteração fetal que melhora após correção materna não obriga parto prematuro imediato.
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Contexto
A gestante de 31 semanas apresenta insuficiência respiratória aguda com saturação materna de 89%. A cardiotocografia mostra alteração transitória importante da frequência fetal, compatível com repercussão da hipóxia materna, seguida de recuperação. A oxigenação fetal depende diretamente da oxigenação e perfusão maternas; por isso, estabilizar a mãe é a primeira intervenção fetal indireta.
Existe uma distinção que costuma cair em prova. Oxigênio suplementar não é recomendado de rotina apenas para tratar traçado fetal alterado quando a mãe está normoxêmica. Aqui, porém, a gestante está objetivamente hipoxêmica, portanto o oxigênio é indicado por necessidade materna. Depois de iniciar suporte respiratório e investigação da causa, deve-se manter monitorização fetal contínua para verificar recuperação ou persistência do comprometimento.
Com 31 semanas e 2 dias, sem dinâmica uterina e sem indicação obstétrica independente para nascimento, não se realiza parto prematuro apenas por uma alteração fetal que pode reverter com a correção materna. Se o padrão fetal permanecer patológico apesar da estabilização ou se houver deterioração materna que torne o parto necessário, a estratégia precisa ser reavaliada rapidamente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Deve-se manter a monitorização fetal enquanto a hipoxemia materna é corrigida. A evolução do traçado após a estabilização ajuda a distinguir sofrimento reversível por condição materna de comprometimento persistente que exigiria resolução.
B) Incorreta. Cesárea imediata não é determinada apenas pela saturação materna baixa ou por alteração fetal transitória se há possibilidade de estabilização e recuperação. O parto torna-se necessário se houver deterioração materna ou fetal persistente.
C) Incorreta. Não existe indicação para induzir parto com 31 semanas em gestante sem trabalho de parto e antes de verificar a resposta fetal ao tratamento materno.
D) Incorreta. Não há contrações nem trabalho de parto prematuro a ser inibido. Tocolítico não trata insuficiência respiratória e não tem papel nesse momento.