Avaliação da vitalidade fetal

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Questão 97
USP-SP · 2022

Gestante de 25 anos de idade, 31 semanas e 2 dias de gestação, chega ao pronto atendimento com queixa de coriza, tosse e febre há 5 dias. Hoje amanheceu com falta de ar. Nega doenças prévias. Ao exame clínico, REG, descorada+/4, hidratada, FC= 122 bpm; T= 37,9°C, Saturação 89%, bulhas rítmicas em dois tempos sem sopros, murmúrios vesiculares presentes e diminuídos em hemitórax direito roncos e sibilos bilaterais, altura uterina de 30cm, BCF presente e rítmico, dinâmica uterina ausente, tônus uterino normal. Durante o atendimento inicial foi realizada a seguinte cardiotocografia:

Figura da questão 97 da USP-SP 2022
Figura da questão

Além de ofertar oxigênio, qual é a conduta obstétrica?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A gestante de 31 semanas apresenta insuficiência respiratória aguda com saturação materna de 89%. A cardiotocografia mostra alteração transitória importante da frequência fetal, compatível com repercussão da hipóxia materna, seguida de recuperação. A oxigenação fetal depende diretamente da oxigenação e perfusão maternas; por isso, estabilizar a mãe é a primeira intervenção fetal indireta.

Existe uma distinção que costuma cair em prova. Oxigênio suplementar não é recomendado de rotina apenas para tratar traçado fetal alterado quando a mãe está normoxêmica. Aqui, porém, a gestante está objetivamente hipoxêmica, portanto o oxigênio é indicado por necessidade materna. Depois de iniciar suporte respiratório e investigação da causa, deve-se manter monitorização fetal contínua para verificar recuperação ou persistência do comprometimento.

Com 31 semanas e 2 dias, sem dinâmica uterina e sem indicação obstétrica independente para nascimento, não se realiza parto prematuro apenas por uma alteração fetal que pode reverter com a correção materna. Se o padrão fetal permanecer patológico apesar da estabilização ou se houver deterioração materna que torne o parto necessário, a estratégia precisa ser reavaliada rapidamente.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Deve-se manter a monitorização fetal enquanto a hipoxemia materna é corrigida. A evolução do traçado após a estabilização ajuda a distinguir sofrimento reversível por condição materna de comprometimento persistente que exigiria resolução.

B) Incorreta. Cesárea imediata não é determinada apenas pela saturação materna baixa ou por alteração fetal transitória se há possibilidade de estabilização e recuperação. O parto torna-se necessário se houver deterioração materna ou fetal persistente.

C) Incorreta. Não existe indicação para induzir parto com 31 semanas em gestante sem trabalho de parto e antes de verificar a resposta fetal ao tratamento materno.

D) Incorreta. Não há contrações nem trabalho de parto prematuro a ser inibido. Tocolítico não trata insuficiência respiratória e não tem papel nesse momento.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é: estabilização materna é parte da ressuscitação fetal.

  • Oxigênio não deve ser usado rotineiramente em mãe normoxêmica só por CTG alterado, mas é claramente indicado quando a mãe está hipoxêmica, como aqui.

  • Alteração fetal que melhora após correção materna não obriga parto prematuro imediato.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Avaliação da vitalidade fetal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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