A primeira consulta de gestante de 23 anos, em situação de rua, foi realizada com 14 semanas. Nessa consulta verifica-se que ela fuma 4 cigarros por dia, o primeiro no período da tarde. A paciente afirma que até gostaria de parar de fumar, mas que não consegue, pois já tentou outras vezes e não conseguiu.
A pegadinha central é perceber que a paciente já quer parar: a próxima pergunta é como foram as tentativas anteriores e por que houve recaída.
Gestação: priorizar aconselhamento estruturado e estratégias comportamentais para cessação.
Fagerström ajuda a graduar dependência, mas não substitui avaliação motivacional, história de tentativas e planejamento terapêutico.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A gestante manifesta motivação para parar de fumar, mas relata recaídas após tentativas anteriores. A primeira abordagem não deve ser apenas repetir os riscos do cigarro, e sim compreender como foram essas tentativas, quais situações precipitaram recaída, quais estratégias já funcionaram parcialmente e quais barreiras estão presentes. O PCDT do Tabagismo do Ministério da Saúde, aprovado em 2020 e mantido como referência oficial do SUS, recomenda avaliação clínica e abordagem comportamental estruturada; para gestantes e nutrizes, o eixo do tratamento é aconselhamento estruturado para cessação.
A história também sugere baixa dependência física pela informação de que o primeiro cigarro ocorre apenas à tarde, mas isso não elimina dependência comportamental nem a necessidade de intervenção. Na gestação, o PCDT orienta prioritariamente tratamento não medicamentoso, porque as evidências de segurança e eficácia de terapia de reposição de nicotina e bupropiona são insuficientes para uso rotineiro. O objetivo inicial é construir um plano individualizado, baseado nas tentativas prévias e no contexto social da paciente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Explorar como ocorreram as tentativas anteriores identifica gatilhos, dificuldades, períodos de abstinência e estratégias potencialmente úteis. A partir disso, o profissional pode construir com a gestante um plano de cessação adaptado à gestação e ao seu contexto de vida.
B) Incorreta. Informar riscos e oferecer apoio em grupo podem fazer parte do tratamento, mas encaminhar diretamente para um grupo não substitui a avaliação inicial individualizada. Apenas repetir riscos também tende a ser pouco útil para quem já deseja parar e já fracassou em tentativas anteriores.
C) Incorreta. O tabagismo deve ser abordado ativamente no pré-natal, mas sua presença isolada não determina encaminhamento automático ao pré-natal de alto risco. A atenção primária continua responsável por oferecer intervenção para cessação e coordenar o cuidado.
D) Incorreta. O teste de Fagerström pode integrar a avaliação da dependência nicotínica, mas não substitui a exploração das tentativas anteriores e das barreiras à cessação. Estar em situação de rua exige abordagem de vulnerabilidades e articulação de rede quando necessária, não uma notificação automática à assistência social.