Paulo é um paciente de 48 anos e está em uso de captopril 25 mg a cada 12h há 6 anos e vem à sua primeira consulta ambulatorial. Refere que recebeu o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS) no Pronto-Socorro após uma forte cefaleia e pressão arterial de 180 x 100 mmHg, quando introduziram essa medicação. Desde então sua pressão está controlada ao redor de 130 x 80 mmHg. Realizou exames há 10 meses solicitados por outro profissional, todos normais. Ele tem muito medo de um "derrame", pois seu pai morreu de um acidente vascular cerebral aos 72 anos e seu avô aos 78 anos. Nega tabagismo, etilismo, outras doenças ou sintomas.
A pegadinha é achar que PA controlada em uso de remédio confirma retrospectivamente o diagnóstico; ela apenas mostra pressão controlada durante tratamento.
HAS deve ser confirmada com medidas adequadas e repetidas, preferencialmente complementadas por MAPA ou MRPA.
Na lógica desta questão, retirar a medicação significa retirada supervisionada com monitorização, não abandono do seguimento.
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Contexto
O problema central é que o diagnóstico de hipertensão arterial foi estabelecido há 6 anos a partir de uma única medida de 180 x 100 mmHg no Pronto-Socorro durante cefaleia. Uma elevação isolada em situação aguda não basta, por si só, para diagnosticar hipertensão crônica. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 reforça a necessidade de técnica adequada e confirmação por medidas repetidas em consultas diferentes e, sempre que possível, por medidas fora do consultório, como MAPA ou MRPA.
O fato de a pressão atual estar em torno de 130 x 80 mmHg enquanto o paciente usa captopril não permite saber se ele é normotenso sem tratamento ou hipertenso controlado. O gabarito propõe reavaliar a existência de hipertensão após retirada supervisionada do anti-hipertensivo, acompanhando a pressão de modo seriado. Isso não deve ser interpretado como recomendação para suspensão abrupta e sem seguimento; a retirada é uma estratégia diagnóstica planejada em paciente estável e de baixo risco aparente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Manter indefinidamente a medicação pressupõe que o diagnóstico inicial tenha sido adequadamente estabelecido. Como só existe relato de uma medida elevada em contexto agudo, primeiro é necessário esclarecer se há hipertensão sustentada.
B) Correta (gabarito). A suspensão supervisionada do captopril, com controle seriado da pressão e idealmente confirmação por MAPA ou MRPA, permite verificar se o paciente realmente apresenta hipertensão fora do tratamento. O objetivo é rever um diagnóstico originalmente mal documentado.
C) Incorreta. Avaliar adesão é importante em todo paciente tratado, mas não resolve a dúvida essencial: se ele precisava de tratamento desde o início. Solicitar apenas exames de controle sem confirmar o diagnóstico mantém a incerteza.
D) Incorreta. Reduzir a dose continua expondo o paciente a tratamento de uma condição ainda não confirmada. Eletrocardiograma pode pesquisar repercussão cardíaca, mas não estabelece se a pressão é persistentemente elevada sem medicação.