Recém-nascido, 40 semanas de idade gestacional, sexo masculino, nasceu de parto cesárea por falha de indução, Apgar 9/10, peso de 2.950 g. Mãe primigesta, 20 anos, não fez pré-natal e relata ser usuária habitual de drogas ilícitas. O menor está sendo examinado no alojamento conjunto, com 72 horas de vida, e alguns dados do exame clínico estão apresentados nas imagens abaixo.


A pegadinha é não deixar a história de uso materno de drogas explicar automaticamente qualquer alteração neurológica. Hipotonia persistente precisa ser localizada e investigada.
Sinal do cachecol exagerado, deslizamento na suspensão vertical e queda acentuada na suspensão ventral são pistas de baixo tônus.
Melanocitose dérmica congênita pode parecer equimose, e prega palmar transversal isolada é inespecífica.
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Contexto
As imagens mostram manobras do exame neurológico neonatal destinadas a avaliar tônus axial e apendicular, incluindo respostas semelhantes ao sinal do cachecol, suspensão vertical e suspensão ventral. O conjunto é sugestivo de hipotonia, com pouca resistência ao movimento passivo e controle postural reduzido. Hipotonia em recém-nascido de termo não deve ser atribuída automaticamente à exposição materna a drogas ilícitas, principalmente quando o achado persiste fora de uma explicação transitória evidente.
O exame também apresenta achados morfológicos que podem funcionar como distratores. A área azul-acinzentada de pele é compatível com melanocitose dérmica congênita, lesão benigna que pode ser confundida com equimose se não for documentada. A prega palmar transversal observada na outra imagem pode aparecer em algumas síndromes cromossômicas, mas também ocorre isoladamente em pessoas sem doença genética. Nenhum desses achados, sozinho, estabelece maus-tratos ou indicação obrigatória de cariótipo.
Diante de hipotonia neonatal, a investigação deve inicialmente localizar o problema como central ou periférico e pesquisar causas tratáveis. Avaliam-se nível de consciência, força, reflexos, sucção, movimentos espontâneos, padrão respiratório e dismorfismos. Exames adicionais podem incluir glicemia, eletrólitos, cálcio, magnésio, função tireoidiana, CK, avaliação infecciosa, neuroimagem, EEG quando houver suspeita de crises e investigação metabólica ou genética conforme o fenótipo. O ponto da questão é que exame neurológico anormal impede alta de rotina sem esclarecimento.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não há elemento suficiente para concluir que as alterações decorrem de maus-tratos no alojamento conjunto. Melanocitose dérmica congênita pode simular visualmente uma equimose, mas é uma alteração pigmentária benigna e deve ser reconhecida e documentada para evitar interpretações equivocadas.
B) Incorreta. Uma prega palmar transversal isolada é inespecífica e não estabelece cromossomopatia. Cariótipo deve ser guiado por um conjunto fenotípico compatível, e o achado prioritário apresentado é a alteração do tônus neurológico.
C) Correta (gabarito). A presença de hipotonia ou respostas anormais às manobras de tônus em um recém-nascido de termo exige investigação neurológica complementar e observação dirigida para definir se a causa é central, periférica, metabólica, tóxica ou sistêmica.
D) Incorreta. Alta de rotina pressupõe recém-nascido clinicamente estável e sem achados relevantes que necessitem esclarecimento. Um exame neurológico anormal aos 3 dias de vida requer avaliação antes da liberação.