Mulher de 22 anos de idade, secundigesta com um parto cesáreo anterior com recém-nascido de 2632g há 4 anos. Chega ao pronto atendimento com dor em hipogástrio. Hoje está com 38 semanas e 2 dias de gestação e o pré-natal transcorreu sem intercorrências. Ao exame: PA 110x72 mmHg, FC 88 bpm, dinâmica uterina presente de 3 contrações em 10 minutos, BCF 144 bpm, altura uterina de 35 cm, toque com colo fino pérvio para 6 cm, apresentação cefálica, alta e fixa, bolsa integra, amnioscopia líquido claro com grumos grossos.


Após a análise do partograma, qual o diâmetro que estaria impedindo a descida da apresentação?
A pegadinha central é diferenciar conjugata diagonal, que pode ser medida, da conjugata obstétrica, que é estimada.
Conjugata obstétrica ≈ conjugata diagonalis menos 1,5 a 2 cm.
Parada de descida deve ser interpretada junto com posição fetal e dinâmica uterina; pelvimetria não é usada isoladamente para decidir via de parto.
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Contexto
O partograma mostra dilatação cervical progressiva, mas a apresentação fetal permanece relativamente alta por várias horas apesar de dinâmica uterina presente. Esse desacoplamento entre dilatação e descida sugere desproporção cefalopélvica ou dificuldade mecânica de progressão.
No esquema de pelvimetria, a letra C corresponde à conjugata diagonalis, medida do promontório sacral à borda inferior da sínfise púbica. Ela é o diâmetro anteroposterior do estreito superior que pode ser estimado clinicamente ao toque. A conjugata obstétrica, que representa o espaço anteroposterior funcional mínimo pelo qual a apresentação precisa passar, não é medida diretamente e é estimada a partir da diagonal, subtraindo-se aproximadamente 1,5 a 2 cm.
Assim, o gabarito usa o diâmetro C como indicador clínico de limitação do estreito superior. Uma conjugata diagonal reduzida implica conjugata obstétrica também reduzida e pode impedir insinuação ou progressão adequada da cabeça. Pelvimetria isolada, porém, não deve substituir avaliação dinâmica do trabalho de parto, posição fetal, apresentação, atividade uterina e evolução clínica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O diâmetro A representa outra medida anteroposterior do estreito superior e não é a medida clínica utilizada na prova para inferir diretamente a capacidade obstétrica funcional.
B) Incorreta. O diâmetro B se aproxima da dimensão obstétrica funcional do estreito superior, mas essa medida não é obtida diretamente pelo exame clínico. A prova pede o diâmetro representado no esquema que permite inferir essa limitação.
C) Correta (gabarito). A conjugata diagonalis é clinicamente mensurável e permite estimar a conjugata obstétrica. Se reduzida, indica estreitamento anteroposterior da entrada da pelve e pode explicar dificuldade de progressão da apresentação.
D) Incorreta. O diâmetro D corresponde ao estreito inferior. Uma apresentação que encontra dificuldade antes de completar a descida pelo canal pode ter limitação mais cranial, relacionada ao estreito superior.