Homem, 94 anos de idade, notou aparecimento de lesão crostosa e elevada na região parietal direita, de crescimento gradativo, há 6 meses. A biópsia prévia confirmou carcinoma espinocelular superficialmente invasivo, bem diferenciado. A imagem a seguir mostra a demarcação das margens oncológicas para carcinoma espinocelular, tendo como margem profunda a ressecção da gálea aponeurótica e o periósteo.

A pegadinha central é reconhecer que osso sem periósteo não é bom leito para enxerto.
Defeito localizado de couro cabeludo com calota exposta: prefira retalho local vascularizado quando tecnicamente possível.
Retalho livre é reservado para perdas maiores ou quando as opções locais não conseguem cobrir o defeito.
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Contexto
A ressecção oncológica do carcinoma espinocelular do couro cabeludo inclui, neste caso, gálea aponeurótica e periósteo, deixando calota craniana exposta. Enxertos de pele dependem de um leito receptor vascularizado para sobreviver por imbibição plasmática, inosculação e posterior neovascularização. Osso cortical desnudo sem periósteo é um leito pobre e não permite integração confiável de enxerto colocado diretamente sobre ele.
Para um defeito localizado como o mostrado, a reconstrução ideal utiliza tecido vascularizado adjacente. Retalho local de transposição do couro cabeludo fornece pele e subcutâneo com suprimento sanguíneo próprio, cobre o osso exposto e oferece melhor durabilidade que enxerto sobre leito avascular. Retalhos livres microcirúrgicos ficam reservados principalmente para defeitos muito extensos, exposição complexa de calota, perda de tecidos locais ou necessidade de cobertura após grandes ressecções.
Em situações selecionadas, pode-se fresar a tábua externa até expor díploe sangrante e então enxertar, mas isso exige preparação adicional do leito. Diante das alternativas e do defeito focal apresentado, o retalho local é a opção reconstrutiva mais apropriada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Retalho livre microcirúrgico oferece excelente cobertura vascularizada, mas é desproporcional para um defeito localizado com tecido de couro cabeludo adjacente disponível. É mais indicado em defeitos grandes ou quando retalhos locais são insuficientes.
B) Correta (gabarito). O retalho cutâneo de transposição mobiliza tecido vascularizado do próprio couro cabeludo para cobrir a calota sem periósteo, resolvendo a principal limitação do leito receptor.
C) Incorreta. Enxerto de pele de espessura parcial exige vascularização adequada do leito. Colocado diretamente sobre osso cortical exposto sem periósteo, apresenta risco elevado de não integração.
D) Incorreta. O enxerto de espessura total também depende de leito vascularizado e possui demanda metabólica ainda maior para integração. A ausência de periósteo torna essa opção inadequada sem preparação específica do osso.