Sangramentos da segunda metade da gestação

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Questão 93
USP-SP · 2022

Gestante de 30 anos de idade, primigesta, 33 semanas de gestação e portadora de hipertensão arterial crônica. Está em uso de metildopa 1,0g por dia e chega ao Pronto-Socorro com queixa de sangramento vaginal e dor abdominal há 1 hora. Ao exame físico: descorada ++, PA 148 x 90 mmHg, FC 118 bpm, altura uterina 37 cm; BCF 102 bpm. Na palpação não há distinção das partes fetais, tônus uterino aumentado. Ao exame especular colo sem lesões, com presença de sangue escurecido em fundo de saco. Ao toque vaginal, colo médio, medianizado, pérvio para 3 cm, bolsa íntegra e tensa.

Qual é a conduta obstétrica nesse momento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Sangramento vaginal escurecido, dor abdominal, hipertonia uterina, aumento aparente da altura uterina, dificuldade de palpar partes fetais e hipertensão crônica formam quadro clássico de descolamento prematuro de placenta. O BCF de 102 bpm ainda sugere comprometimento fetal. O diagnóstico é predominantemente clínico e não deve aguardar ultrassonografia para ser tratado.

Na abordagem clássica do DPP quando se decide conduzir parto vaginal e a bolsa está íntegra, a amniotomia reduz a distensão uterina, pode favorecer melhor contração miometrial e acelera a resolução do parto. É essa lógica que sustenta o gabarito da questão. Tocolítico é contraindicado diante de sangramento por DPP e possível sofrimento fetal.

Há uma nuance importante na prática atual. O princípio contemporâneo é realizar o parto pela via mais rápida e segura quando há comprometimento materno ou fetal. Diretrizes de hemorragia anteparto recomendam acelerar a resolução quando a cardiotocografia é anormal. Assim, se houver bradicardia fetal persistente e o parto vaginal não estiver iminente, a cesariana urgente costuma ser preferida. Como essa opção não aparece entre as alternativas, o gabarito C representa a manobra imediata dentro da estratégia de parto vaginal adotada pela prova.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Analgesia pode fazer parte do suporte, mas não resolve o descolamento nem reduz o tempo de exposição materno-fetal ao sangramento e à hipóxia.

B) Incorreta. A vitalidade fetal já está sendo avaliada pelo BCF e o quadro clínico exige ação. Repetir apenas avaliação fetal sem avançar a resolução pode atrasar uma emergência obstétrica.

C) Correta (gabarito). Na lógica da questão, com trabalho de parto em curso, colo com 3 cm e bolsa tensa, a amniotomia é a medida imediata para acelerar o parto e reduzir a distensão uterina. Na prática atual, persistência de comprometimento fetal exige escolher a via de resolução mais rápida, inclusive cesariana se o parto vaginal não estiver próximo.

D) Incorreta. Não se inibe trabalho de parto diante de DPP com sangramento e possível sofrimento fetal. Prolongar a gestação aumentaria o risco de hipóxia, coagulopatia e deterioração materna.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é reconhecer DPP pela combinação de dor + sangue escuro + hipertonia.

  • Tocolítico não deve ser usado para tentar prolongar gestação em DPP clinicamente importante.

  • Gabarito clássico: amniotomia se a via vaginal está sendo conduzida. Conduta moderna: se o feto estiver persistentemente comprometido e o parto não for iminente, a resolução deve ser acelerada pela via mais rápida.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Sangramentos da segunda metade da gestação” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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