Escolar, sexo masculino, 5 anos de idade, sem comorbidades prévias, é levado ao Pronto-Socorro por febre de até 39,5oC e claudicação dolorosa à esquerda há 2 dias. Nega trauma local. Mãe refere também que a criança apresentou quadro de tosse, coriza e odinofagia há 14 dias, já resolvido. Ao exame clínico, criança em regular estado geral, membro inferior esquerdo em flexão, abdução e rotação externa da articulação coxo-femoral (conforme imagem abaixo) com dor intensa à manipulação, membro inferior direito sem limitação funcional e sem dor à manipulação, ausência de outras alterações significativas ao exame clínico.

A pegadinha é o antecedente viral: febre alta + incapacidade de apoiar + dor intensa no quadril não devem ser rotuladas como sinovite transitória.
Quadril séptico costuma ficar em flexão, abdução e rotação externa para reduzir a pressão intracapsular.
Artrite séptica exige internação, culturas, antibiótico IV e avaliação ortopédica urgente para drenagem quando necessária.
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Contexto
Febre alta, claudicação ou recusa para apoiar o membro, dor intensa à mobilização passiva do quadril e postura antálgica em flexão, abdução e rotação externa, como mostra a imagem, devem ser considerados artrite séptica do quadril até prova em contrário. Essa posição aumenta o volume intracapsular e reduz a pressão dolorosa dentro da articulação inflamada.
A principal diferenciação é com sinovite transitória, comum após infecção viral de vias aéreas superiores. A sinovite transitória costuma ocorrer em criança com melhor estado geral, febre ausente ou baixa e menor repercussão sistêmica. Os critérios clínicos de Kocher valorizam temperatura acima de 38,5 °C, incapacidade de apoiar o membro, leucócitos acima de 12.000/mm3 e VHS acima de 40 mm/h; a modificação de Caird acrescenta PCR acima de 2 mg/dL. Esta criança já apresenta dois sinais fortes, febre de 39,5 °C e incapacidade funcional importante.
Artrite séptica é emergência ortopédica. A avaliação deve incluir hemograma, PCR, VHS, hemoculturas, ultrassonografia para derrame e, quando possível sem atraso perigoso, punção articular para contagem celular, Gram e cultura. Staphylococcus aureus é o principal agente, e em crianças pequenas também se considera Kingella kingae. O tratamento combina antibioticoterapia intravenosa e controle do foco articular com ortopedia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Alta com anti-inflamatório e reavaliação seria estratégia possível para sinovite transitória em criança bem, sem toxemia e com baixo risco de infecção bacteriana. Febre alta e dor intensa com incapacidade de mobilizar o quadril tornam essa conduta insegura.
B) Incorreta. O quadro é agudo, febril e monoarticular, sem evidências de doença autoimune sistêmica. Corticoide antes de excluir infecção poderia agravar uma artrite séptica.
C) Incorreta. Febre reumática pode surgir após faringite estreptocócica, mas sua artrite típica é migratória e envolve grandes articulações, com resposta rápida a anti-inflamatório. Não explica adequadamente quadril fixo em posição antálgica com dor extrema à manipulação.
D) Correta (gabarito). A criança deve ser internada, submetida a triagem infecciosa e receber antibioticoterapia intravenosa. Ceftriaxona associada à oxacilina oferece cobertura compatível com os principais agentes na lógica da questão, enquanto se organiza avaliação ortopédica urgente e obtenção de material articular quando indicada.