Entre 2013 e 2018 o Ministério da Saúde implantou o Programa Mais Médicos (PMM), para aumentar a oferta de médicos da atenção básica, em áreas carentes do país. Foi realizado um estudo para investigar a associação entre o PMM e resultados de saúde infantil. Foram analisados os dados dos 5.565 municípios brasileiros ao longo de 12 anos (2007 a 2018), comparando resultados de saúde infantil (taxa de mortalidade infantil e taxa de mortalidade neonatal) entre municípios que receberam médicos do PMM e aqueles que não os receberam.
A pegadinha central é não se deixar levar pelos 12 anos de acompanhamento: primeiro pergunte qual é a unidade de análise.
Município, estado ou país como unidade de exposição e desfecho agregados aponta para estudo ecológico.
Erro clássico: inferir que uma associação observada entre municípios necessariamente vale para indivíduos. Isso é falácia ecológica.
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Contexto
O que define o delineamento é a unidade de análise. Neste estudo, exposição e desfechos não foram atribuídos a indivíduos acompanhados um a um. A exposição é municipal, isto é, receber ou não médicos do Programa Mais Médicos, e os desfechos também são municipais, como taxa de mortalidade infantil e taxa de mortalidade neonatal. Portanto, trata-se de um estudo ecológico.
O acompanhamento de 5.565 municípios durante 12 anos torna o desenho um estudo ecológico longitudinal, também chamado de painel ecológico quando as mesmas unidades geográficas são observadas repetidamente ao longo do tempo. O fato de os dados serem históricos não transforma automaticamente o estudo em coorte retrospectiva. Coorte pressupõe que a unidade acompanhada seja o indivíduo ou outra unidade claramente definida em nível individual, classificada pela exposição e seguida para ocorrência do desfecho.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não houve formação de grupos de indivíduos expostos e não expostos acompanhados prospectivamente. Os dados são agregados por município e abrangem período já ocorrido.
B) Correta (gabarito). Municípios são as unidades analíticas, e tanto a presença do programa quanto as taxas de mortalidade são variáveis agregadas populacionais. Isso caracteriza estudo ecológico, apesar de existir componente longitudinal.
C) Incorreta. O uso de dados retrospectivos não é suficiente para chamar o estudo de coorte retrospectiva. Uma coorte retrospectiva acompanharia indivíduos ou unidades individuais previamente classificadas segundo exposição; aqui a comparação é entre populações municipais agregadas.
D) Incorreta. Estudos transversais avaliam exposição e desfecho em um recorte temporal, sem acompanhar sua evolução ao longo de uma série de anos. O estudo descrito analisa 12 anos de dados municipais.