Homem de 66 anos de idade chega à consulta referindo perda visual progressiva e indolor de olho há 06 meses. É hipertenso, diabético e dislipidêmico de longa data, com controle irregular das comorbidades. Realiza o seguinte exame.

A pegadinha central é diferenciar exsudato duro, amarelo e bem delimitado, de exsudato algodonoso, branco, fofo e isquêmico.
Retinopatia diabética não proliferativa: microaneurismas, hemorragias intrarretinianas, exsudatos duros e, em graus mais avançados, alterações venosas e anormalidades microvasculares intrarretinianas.
Mácula em cereja aponta para oclusão arterial retiniana, não para retinopatia diabética.
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Contexto
O fundo de olho mostra o padrão de retinopatia diabética não proliferativa: pequenos pontos e manchas avermelhados intrarretinianos, compatíveis com microaneurismas e micro-hemorragias, associados a depósitos amarelo-esbranquiçados, brilhantes e bem delimitados, que correspondem a exsudatos duros. Na imagem, esses exsudatos se concentram na região macular em padrão aproximadamente circinado, traduzindo extravasamento vascular crônico. A American Diabetes Association, nos Standards of Care in Diabetes 2026, mantém a retinopatia diabética como complicação microvascular cuja progressão se relaciona ao tempo de diabetes e ao controle glicêmico e pressórico.
O mecanismo é a lesão microvascular retiniana pelo diabetes: perda de pericitos, aumento da permeabilidade capilar e formação de microaneurismas favorecem hemorragia e extravasamento de lipoproteínas. Exsudato duro é depósito lipídico por vazamento vascular; já exsudato algodonoso é uma lesão isquêmica da camada de fibras nervosas e tem aspecto branco, fofo e mal delimitado. Essa distinção visual é o ponto que fecha a questão.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A fotografia apresenta micro-hemorragias intrarretinianas e exsudatos duros, achados clássicos da retinopatia diabética não proliferativa. Os depósitos amarelados bem definidos próximos à mácula são particularmente característicos de exsudação lipídica.
B) Incorreta. Edema de papila produziria elevação e borramento dos limites do disco óptico, o que não é o achado dominante. Descolamento regmatogênico decorre de rotura retiniana com passagem de líquido para o espaço sub-retiniano e não se apresenta como esses pontos hemorrágicos e depósitos lipídicos.
C) Incorreta. A mácula em cereja é típica de oclusão da artéria central da retina, em geral com palidez retiniana difusa e fóvea vermelho-cereja. Microcalcificações não são um achado característico de retinopatia diabética.
D) Incorreta. Exsudatos algodonosos podem ocorrer na retinopatia diabética, mas são lesões brancas e pouco delimitadas por isquemia da camada de fibras nervosas. A imagem não mostra palidez de papila, achado que sugeriria neuropatia óptica ou atrofia do nervo óptico.