Nódulo cervical e câncer de cabeça e pescoço

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Questão 71
USP-SP · 2022

Homem, 44 anos de idade, foi submetido a tireoidectomia total há 6 horas. A enfermagem relata que o paciente está sentindo dificuldade para “puxar o ar”, usando musculatura acessória e se encontra cada vez mais agitado e sentado no leito. As imagens apresentadas ilustram a inspeção cervical ao você chegar (A) e nos minutos que se seguiram à sua avaliação (B).

Figura da questão 71 da USP-SP 2022
Figura da questão

Qual é a conduta neste momento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Seis horas após tireoidectomia total, o paciente desenvolve dispneia progressiva, uso de musculatura acessória, agitação e aumento rápido do volume cervical. As imagens mostram equimose e abaulamento cervical em progressão, quadro de hematoma cervical pós-tireoidectomia com compressão da via aérea. Essa é uma emergência tempo-dependente: a deterioração pode ocorrer por compressão direta da traqueia, edema venoso e edema de laringe, e uma via aérea inicialmente permeável pode se tornar impossível de manejar em poucos minutos.

O consenso multidisciplinar da Difficult Airway Society, British Association of Endocrine and Thyroid Surgeons e ENT-UK, publicado em 2022, orienta que diante de comprometimento da via aérea pelo hematoma a ferida seja aberta imediatamente no local onde o paciente está. Não basta retirar pontos de pele: devem ser liberados pele, tecido subcutâneo, platisma e planos profundos que estejam mantendo o hematoma sob tensão. O objetivo imediato é descomprimir o pescoço; depois vêm oxigenação, controle definitivo da via aérea quando necessário e revisão cirúrgica para hemostasia.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). A abertura imediata da sutura e dos planos fáscio-musculares no leito é a medida que remove a causa da obstrução. Transferir o paciente antes da descompressão pode consumir minutos decisivos enquanto o edema e a compressão aumentam.

B) Incorreta. Traqueostomia pode ser necessária em situações excepcionais de via aérea não controlável, mas não é a primeira medida. Levar um paciente em obstrução progressiva ao centro cirúrgico sem antes abrir a ferida atrasa a descompressão que pode restaurar rapidamente a patência da via aérea.

C) Incorreta. Compressão do trígono carotídeo não trata hematoma pós-tireoidectomia e ainda pode comprometer estruturas vasculares e neurológicas cervicais. A fonte do problema é a coleção expansiva sob os planos operatórios.

D) Incorreta. Cricotireoidostomia é uma via aérea de resgate em cenário de não intuba, não oxigena. Quando há hematoma cervical compressivo reconhecido após tireoidectomia, a primeira intervenção específica é abrir a ferida e liberar o hematoma, associando manejo de via aérea conforme resposta.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é não levar primeiro ao centro cirúrgico: hematoma cervical com comprometimento respiratório deve ser aberto imediatamente no leito.

  • Após tireoidectomia, agitação, pressão cervical, disfagia, estridor, dispneia ou aumento do pescoço podem preceder colapso rápido da via aérea.

  • Para descomprimir de verdade, pode ser necessário abrir também platisma e planos profundos, não apenas os pontos da pele.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Nódulo cervical e câncer de cabeça e pescoço” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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