Homem, 44 anos de idade, foi submetido a tireoidectomia total há 6 horas. A enfermagem relata que o paciente está sentindo dificuldade para “puxar o ar”, usando musculatura acessória e se encontra cada vez mais agitado e sentado no leito. As imagens apresentadas ilustram a inspeção cervical ao você chegar (A) e nos minutos que se seguiram à sua avaliação (B).

A pegadinha central é não levar primeiro ao centro cirúrgico: hematoma cervical com comprometimento respiratório deve ser aberto imediatamente no leito.
Após tireoidectomia, agitação, pressão cervical, disfagia, estridor, dispneia ou aumento do pescoço podem preceder colapso rápido da via aérea.
Para descomprimir de verdade, pode ser necessário abrir também platisma e planos profundos, não apenas os pontos da pele.
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Contexto
Seis horas após tireoidectomia total, o paciente desenvolve dispneia progressiva, uso de musculatura acessória, agitação e aumento rápido do volume cervical. As imagens mostram equimose e abaulamento cervical em progressão, quadro de hematoma cervical pós-tireoidectomia com compressão da via aérea. Essa é uma emergência tempo-dependente: a deterioração pode ocorrer por compressão direta da traqueia, edema venoso e edema de laringe, e uma via aérea inicialmente permeável pode se tornar impossível de manejar em poucos minutos.
O consenso multidisciplinar da Difficult Airway Society, British Association of Endocrine and Thyroid Surgeons e ENT-UK, publicado em 2022, orienta que diante de comprometimento da via aérea pelo hematoma a ferida seja aberta imediatamente no local onde o paciente está. Não basta retirar pontos de pele: devem ser liberados pele, tecido subcutâneo, platisma e planos profundos que estejam mantendo o hematoma sob tensão. O objetivo imediato é descomprimir o pescoço; depois vêm oxigenação, controle definitivo da via aérea quando necessário e revisão cirúrgica para hemostasia.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A abertura imediata da sutura e dos planos fáscio-musculares no leito é a medida que remove a causa da obstrução. Transferir o paciente antes da descompressão pode consumir minutos decisivos enquanto o edema e a compressão aumentam.
B) Incorreta. Traqueostomia pode ser necessária em situações excepcionais de via aérea não controlável, mas não é a primeira medida. Levar um paciente em obstrução progressiva ao centro cirúrgico sem antes abrir a ferida atrasa a descompressão que pode restaurar rapidamente a patência da via aérea.
C) Incorreta. Compressão do trígono carotídeo não trata hematoma pós-tireoidectomia e ainda pode comprometer estruturas vasculares e neurológicas cervicais. A fonte do problema é a coleção expansiva sob os planos operatórios.
D) Incorreta. Cricotireoidostomia é uma via aérea de resgate em cenário de não intuba, não oxigena. Quando há hematoma cervical compressivo reconhecido após tireoidectomia, a primeira intervenção específica é abrir a ferida e liberar o hematoma, associando manejo de via aérea conforme resposta.