Homem, 38 anos, tem roncos e sonolência diurna há 2 anos. Refere obstrução nasal e sua esposa diz que, durante a noite, o paciente apresenta episódios em que “para de respirar” e parece que parece estar “engasgado”. Sem antecedentes mórbidos relevantes. O exame clínico é normal, com exceção de IMC = 34 kg/m2.
A pegadinha central é trocar o tratamento principal por medidas adjuvantes de higiene do sono ou perda de peso.
Pausas testemunhadas, engasgos noturnos e sonolência têm alto valor para suspeitar de apneia obstrutiva.
CPAP trata a obstrução; emagrecimento e controle nasal devem ocorrer em paralelo.
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Contexto
Ronco habitual, pausas respiratórias testemunhadas, despertares com engasgo, sonolência diurna e obesidade formam um quadro de alta probabilidade pré-teste para síndrome da apneia obstrutiva do sono. A obstrução recorrente da faringe durante o sono produz hipoxemia intermitente, fragmentação do sono e ativação simpática, com repercussões sobre atenção, acidentes, pressão arterial e risco cardiovascular.
O diagnóstico deve ser confirmado por polissonografia ou teste domiciliar apropriado antes da prescrição definitiva. A Diretriz da American Academy of Sleep Medicine de 2019 recomenda pressão positiva nas vias aéreas para adultos com apneia obstrutiva do sono e sonolência excessiva. O CPAP é a terapia clínica de escolha porque cria uma coluna pneumática que impede o colapso da via aérea superior ao longo da noite.
Perda de peso, redução de álcool, tratamento da obstrução nasal e medidas posicionais são adjuvantes. O aparelho intraoral de avanço mandibular pode ser utilizado em doença leve ou moderada, preferência do paciente ou intolerância ao CPAP, mas não supera o CPAP como resposta principal neste homem obeso e sintomático.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O CPAP reduz apneias, hipopneias, dessaturações, despertares e sonolência diurna ao manter a via aérea superior aberta durante o sono.
B) Incorreta. Elevar a cabeceira pode reduzir eventos em alguns pacientes e melhorar refluxo, mas não controla de forma confiável uma apneia obstrutiva clinicamente relevante.
C) Incorreta. Atividade física regular e perda ponderal ajudam no controle global, porém exercício imediatamente antes de dormir não corrige o colapso faríngeo e ainda pode dificultar o início do sono em algumas pessoas.
D) Incorreta. O aparelho intraoral é alternativa em casos selecionados, sobretudo leves ou moderados e quando o CPAP não é tolerado, não a primeira escolha apresentada para este perfil.