Homem, 75 anos, foi trazido ao Serviço de Emergência pelos familiares após encontrá-lo caído ao lado de sua cama. Tem hipertensão arterial sistêmica e obesidade. Lúcido, o paciente refere que caiu sobre o quadril direito após tropeçar no tapete ao lado da cama; desde então não consegue deambular. Nega trauma encefálico. Previamente deambulador social, conseguia realizar apenas atividades básicas diárias sozinho. Atendimento inicial já realizado e solicitada a radiografia abaixo.

A pegadinha central é trocar a posição da fratura de quadril pela da luxação posterior.
Fratura proximal do fêmur: encurtamento e rotação externa.
Luxação posterior do quadril: flexão, adução e rotação interna.
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Contexto
A radiografia mostra fratura desviada do fêmur proximal direito, com perda do alinhamento normal entre cabeça, colo e diáfise. Após a fratura, a ação muscular sobre o fragmento distal produz encurtamento e rotação externa do membro inferior acometido.
O achado clínico clássico é paciente idoso após queda de baixa energia, incapaz de apoiar ou deambular, com o pé voltado para fora e o membro aparentemente mais curto. A rotação interna é mais relacionada a luxação posterior do quadril, especialmente após trauma de alta energia, e não ao padrão habitual da fratura proximal do fêmur.
A Diretriz AAOS para Fraturas do Quadril em Idosos de 2021 recomenda abordagem multidisciplinar e tratamento cirúrgico oportuno na maioria dos casos, após estabilização clínica. A questão, entretanto, solicita apenas a correlação entre o padrão radiológico e a deformidade esperada ao exame.
O achado compatível é membro inferior direito encurtado e em rotação externa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O encurtamento combina com fratura desviada, mas a rotação interna não. Essa posição deve fazer pensar principalmente em luxação posterior do quadril.
B) Correta (gabarito). A tração muscular e o desvio dos fragmentos na fratura proximal do fêmur explicam o membro encurtado e rodado externamente, apresentação clássica após queda em pessoa idosa.
C) Incorreta. A fratura desviada produz assimetria de comprimento, e a rotação interna não corresponde ao mecanismo habitual mostrado na radiografia.
D) Incorreta. A rotação externa está correta, mas a simetria dos membros está errada. O desvio radiográfico causa encurtamento aparente do lado fraturado.