Homem de 50 anos, portador de melanoma metastático para pulmão, fígado e linfonodos, procura atendimento por quadro de 1 semana de dispneia progressiva e tosse; sem febre. Relata estar em uso de imunoterapia com anticorpo monoclonal anti-PDL-1 há cerca de 3 meses, tendo feito a última aplicação há 2 semanas. Ao exame clínico, o paciente apresenta-se taquidispneico, com frequência cardíaca 117 bpm, pressão arterial 110x60 mmHg, frequência respiratória de 32 irpm, saturação de oxigênio em ar ambiente de 85%. Tomografia computadorizada de tórax apresentada.

A pegadinha central é interpretar as opacidades como progressão tumoral e indicar radioterapia.
Checkpoint mais dispneia subaguda mais vidro fosco bilateral deve levantar pneumonite imunomediada.
Hipoxemia importante define quadro grave: suspenda a imunoterapia, interne em UTI, use corticoide em alta dose e exclua infecção.
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Contexto
O paciente iniciou dispneia e tosse subagudas após três meses de bloqueio de PD-L1, apresenta frequência respiratória de 32 irpm, saturação de 85% em ar ambiente e tomografia com opacidades bilaterais em vidro fosco e consolidações. O conjunto é altamente sugestivo de pneumonite imunomediada grave por inibidor de checkpoint, classificada como grau 3 pela hipoxemia, necessidade de hospitalização e limitação respiratória importante.
A atualização ASCO de 2021 para eventos adversos imunorrelacionados orienta suspender o imunoterápico, internar, iniciar corticosteroide sistêmico em alta dose e investigar diagnósticos concorrentes. Em quadro grave, utiliza-se metilprednisolona intravenosa em torno de 1 a 2 mg/kg/dia, com redução lenta após resposta. Ausência de melhora em 48 a 72 horas exige reavaliação e consideração de imunossupressão adicional por equipe especializada.
Infecção bacteriana, viral, fúngica, pneumocistose, progressão tumoral, edema e tromboembolismo podem imitar ou coexistir com pneumonite. Por isso, devem ser coletados testes respiratórios e culturas conforme o contexto, e é razoável iniciar antibioticoterapia empírica no paciente criticamente hipoxêmico até que infecção seja suficientemente excluída. A insuficiência respiratória justifica unidade de terapia intensiva.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A alternativa reconhece a gravidade, indica UTI, investiga vírus respiratórios, cobre infecção e inicia corticosteroide em alta dose, conjunto apropriado para pneumonite imunomediada grave.
B) Incorreta. Radioterapia não trata toxicidade pulmonar por anti-PD-L1 e pode agravar inflamação pulmonar. Saturação de 85% e taquipneia tornam a enfermaria inadequada.
C) Incorreta. Embora a UTI esteja correta, radioterapia não é o tratamento e corticosteroide em baixa dose é insuficiente para toxicidade de grau 3.
D) Incorreta. A investigação infecciosa é pertinente, mas o nível de cuidado e a dose de corticosteroide subestimam uma insuficiência respiratória hipoxêmica grave.