Diabetes mellitus tipo 1 na criança

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 113
USP-SP · 2023

Paciente, 4 anos, com diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 1 há 5 meses, em uso irregular de insulina NPH, foi trazido ao departamento de emergência devido ao quadro de dor abdominal intensa há 3 dias, referindo vômitos, “cansaço” e diurese abundante. Ao exame clínico, paciente em regular estado geral, mucosas secas e olhos encovados, FC 145 bpm, FR 44 irpm, PA 96x50 mmHg, pulsos finos, extremidades frias com tempo de enchimento capilar de 6 segundos. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações. Na 2a hora após a admissão, o paciente apresentava melhora dos parâmetros hemodinâmicos, porém ainda mantinha náuseas e não conseguia se alimentar.

Qual é a tabela que apresenta as intervenções adequadas para cada momento da evolução da paciente desde o momento da admissão (entrada) até a quarta hora de atendimento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O paciente apresenta cetoacidose diabética grave, com glicemia de 500 mg/dL, cetonúria, pH 7,1, bicarbonato de 7 mEq/L e sinais de choque hipovolêmico. A sequência terapêutica recomendada pela ISPAD 2022 é restaurar a perfusão com cristaloide isotônico, iniciar insulina regular intravenosa após a expansão inicial, repor potássio conforme valor sérico e diurese, evitar bicarbonato de rotina e manter insulina até resolução da cetose e da acidose.

A glicemia caiu rapidamente, de 450 para 330 mg/dL, justificando reduzir a infusão de insulina para 0,05 U/kg/h. Entre as alternativas, a tabela A é a única que preserva a sequência essencial. Ao atingir 240 mg/dL, a etapa seguinte seria adicionar dextrose à hidratação e continuar a insulina até resolução metabólica, ainda que esse ajuste não esteja detalhado no recorte.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Prioriza expansão volêmica, inicia insulina após a primeira hora, acrescenta potássio à fluidoterapia, reduz a velocidade da insulina diante da queda glicêmica acelerada e não utiliza bicarbonato ou NPH precocemente.

B) Incorreta. Administra bicarbonato sem indicação, suspende a insulina intravenosa apenas porque a glicemia chegou a 240 mg/dL e inicia NPH antes da resolução da acidose. A insulina deve continuar com adição de dextrose.

C) Incorreta. Retém potássio até normalização de ureia e creatinina, critério inadequado, e suspende insulina na quarta hora apesar de bicarbonato ainda baixo. A reposição de potássio depende de concentração sérica e diurese, não da normalização da função renal.

D) Incorreta. Mantém a reposição sem potássio e utiliza bicarbonato de rotina. Mesmo com redução apropriada da insulina, essas duas condutas tornam o esquema inseguro.

Bizu MedBoard
  • Na cetoacidose pediátrica, primeiro volume, depois insulina.

  • Glicemia normalizando não significa cetoacidose resolvida; adicione dextrose e mantenha insulina até correção da acidose.

  • O potássio corporal total está reduzido mesmo quando o valor sérico inicial é normal ou alto.

  • Bicarbonato não é tratamento rotineiro da cetoacidose.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Diabetes mellitus tipo 1 na criança” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →