Paciente, 60 anos, menopausa há 10 anos, sem terapia hormonal. Nega uso de medicamentos ou comorbidades. Refere sangramento genital em pequena quantidade. Realiza histeroscopia sem achados anormais na cavidade endometrial e a biópsia, representativa, é de atrofia endometrial.
A pegadinha central é confundir diagnóstico benigno de atrofia com indicação automática de estrogênio.
Sangramento pós-menopausa deve ser investigado, mas biópsia adequada com atrofia e ausência de recorrência permite seguimento.
Persistência ou novo episódio exige nova avaliação, mesmo após investigação inicialmente benigna.
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Contexto
Todo sangramento após a menopausa deve ser investigado porque pode ser a manifestação inicial de hiperplasia ou câncer de endométrio. Nesta paciente, a avaliação já foi concluída com histeroscopia sem lesão intracavitária e biópsia representativa mostrando atrofia endometrial, causa benigna frequente de sangramento pós-menopausa.
O endométrio atrófico é fino e possui vasos frágeis, que podem romper mesmo sem estímulo hormonal. Quando a amostra é adequada, não há lesão focal e o sangramento cessou, não se indica tratamento endometrial invasivo nem terapia hormonal sistêmica apenas por esse episódio.
A conduta é orientação, controle clínico e seguimento habitual. A segurança dessa conduta depende de não haver persistência ou recorrência. Novo sangramento exige reavaliação, pois uma investigação inicial benigna não encerra a investigação de episódios repetidos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Terapia estrogênica e progestagênica sistêmica não é tratamento do sangramento isolado por atrofia endometrial e introduz riscos sem benefício demonstrado no caso.
B) Incorreta. Estrogênio sistêmico isolado em paciente com útero aumenta o risco de hiperplasia e câncer endometrial. Estrogênio vaginal em baixa dose pode ser usado para sintomas geniturinários da menopausa, mas esses sintomas não foram descritos e essa não é a opção apresentada.
C) Correta (gabarito). Histeroscopia normal e biópsia representativa benigna permitem seguimento clínico, com orientação para retornar imediatamente se o sangramento reaparecer.
D) Incorreta. Ablação endometrial não trata atrofia, é inadequada após a menopausa e pode dificultar avaliações futuras da cavidade uterina.