Homem de 75 anos é acompanhado no ambulatório de clínica médica por insuficiência cardíaca e hipertensão. Está em uso regular de enalapril e carvedilol em doses máximas, até 4 meses atrás, estava clinicamente estável. Desde então, a dispneia passou dos grandes aos médios esforços, com aparecimento de edema de membros inferiores ao final do dia. Nega febre, alteração do peso ou do padrão de sono. Há quatro dias apresenta palpitação e piora da dispneia, que passou a ocorrer no repouso. No exame clínico, tem frequência cardíaca de 90 bpm (arrítmico), pressão arterial 122x76 mmHg, bulhas arrítmicas e estertores finos em bases pulmonares. O restante do exame clínico é normal.
A pegadinha central é escolher exame de alta complexidade antes de pesquisar uma causa reversível comum da fibrilação atrial.
Em idoso, tireotoxicose pode aparecer como arritmia ou insuficiência cardíaca sem tremor ou perda ponderal evidente.
Novo ritmo irregular exige ECG; entre as alternativas, TSH completa a pesquisa etiológica.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A piora progressiva da dispneia em paciente com insuficiência cardíaca, seguida por palpitação, ritmo irregular e congestão pulmonar, sugere uma arritmia supraventricular recente, especialmente fibrilação atrial, como fator precipitante da descompensação. A prioridade clínica inclui eletrocardiograma, avaliação de estabilidade, eletrólitos, função renal e busca de causas reversíveis.
Entre os exames oferecidos, o hormônio tireoestimulante é o mais direcionado. Tireotoxicose aumenta automatismo atrial, reduz refratariedade e pode desencadear fibrilação atrial e insuficiência cardíaca, inclusive sem manifestações clássicas em idosos. A Diretriz ESC de Fibrilação Atrial de 2024 inclui a avaliação de comorbidades e fatores precipitantes na abordagem integrada da arritmia.
O TSH não substitui a documentação eletrocardiográfica nem a investigação global da descompensação. Ele responde à pergunta porque as demais alternativas pressupõem hipóteses menos sustentadas: tromboembolismo pulmonar, síndrome coronariana ou inflamação sistêmica sem sinais clínicos específicos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Angiotomografia de tórax é indicada quando há probabilidade clínica de tromboembolismo pulmonar. A evolução crônica da insuficiência cardíaca, seguida de palpitação e ritmo irregular, favorece arritmia como precipitante.
B) Correta (gabarito). A dosagem de TSH pesquisa disfunção tireoidiana, causa reversível de fibrilação atrial e de piora da insuficiência cardíaca, especialmente relevante no idoso.
C) Incorreta. Cineangiocoronariografia é reservada para suspeita de síndrome coronariana aguda ou isquemia relevante. O caso não descreve dor, alterações isquêmicas ou instabilidade que imponham estudo invasivo imediato.
D) Incorreta. Proteína C-reativa é inespecífica e teria utilidade se houvesse suspeita de infecção ou inflamação. Não é o exame que melhor esclarece palpitação com ritmo irregular.