Em consulta de rotina, a mãe de um lactente de 35 dias de vida encontra-se preocupada com o aparecimento de uma “ferida” no local da aplicação da vacina BCG, há 4 dias. A criança nasceu a termo, de parto normal, pesando 2.980 g, medindo 49 cm de comprimento, sem intercorrências no período perinatal. Na maternidade, recebeu as vacinas BCG e Hepatite B. Está em aleitamento materno exclusivo, ganhando 28 g de peso ao dia. Ao exame clínico, nota-se a presença de uma úlcera de 0,8 cm de diâmetro localizada na inserção inferior do músculo deltoide direito, sem saída de secreção e de gânglio axilar homolateral, indolor, de consistência fibroelástica, móvel, sem sinais flogísticos, medindo 2,5 cm. Sem outras alterações nos demais aparelhos e sistemas.
A pegadinha central é tratar como complicação uma úlcera pequena que faz parte da evolução normal da BCG.
Linfonodo axilar não supurado e menor que 3 cm costuma ser acompanhado clinicamente.
Não aplicar pomadas, antissépticos ou curativos fechados na lesão vacinal habitual.
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Contexto
A reação local esperada da BCG começa geralmente com pápula ou nódulo, evolui para pústula e pequena úlcera e, depois, forma crosta e cicatriz. Uma úlcera de 0,8 cm aos 35 dias, sem secreção ou inflamação intensa, está dentro da evolução habitual e não deve receber antisséptico, pomada ou curativo oclusivo.
O linfonodo axilar mede 2,5 cm, é móvel, indolor, fibroelástico e não apresenta calor, eritema, flutuação ou fistulização. O Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação considera preocupante a linfadenopatia regional não supurada de maior volume, especialmente acima de 3 cm, e a forma supurada. Este caso não apresenta supuração nem critérios para intervenção.
A conduta é orientar higiene habitual com água e sabão, manter a lesão descoberta, não espremer e acompanhar a cicatrização e o tamanho do gânglio. Reavaliação é necessária se houver crescimento progressivo, flutuação, drenagem, febre, múltiplas cadeias ganglionares ou lesões em outros locais.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Isoniazida não é indicada para a reação local habitual nem para um linfonodo pequeno, não supurado e em regressão esperada.
B) Correta (gabarito). A úlcera tem menos de 1 cm e a adenomegalia é móvel, indolor e não supurada. A conduta é acompanhamento clínico e orientação aos responsáveis.
C) Incorreta. Não há sinais de infecção bacteriana secundária, como dor, calor, eritema progressivo, secreção purulenta ou repercussão sistêmica.
D) Incorreta. Punção aspirativa é considerada quando há linfonodo flutuante ou supurado, não em adenomegalia sólida sem sinais inflamatórios.