O gráfico a seguir apresenta a tendência de diagnósticos e a de mortalidade por câncer de tireoide.

A pegadinha central é confundir doença verdadeira e indolente com teste positivo sem doença.
Sobrediagnóstico aumenta a incidência aparente e pode não reduzir mortalidade ou doença metastática.
Falso positivo é erro de classificação do teste; sobrediagnóstico é excesso de detecção de doença real.
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Contexto
O gráfico mostra dissociação entre três curvas: a incidência de câncer de tireoide cresce intensamente ao longo das décadas, enquanto a mortalidade e a incidência de doença metastática permanecem praticamente estáveis. Esse padrão sugere que o aumento dos diagnósticos não correspondeu a aumento semelhante de tumores biologicamente agressivos.
Sobrediagnóstico é o diagnóstico correto de uma doença verdadeira que, se não tivesse sido descoberta, não causaria sintomas, complicações ou morte durante a vida da pessoa. No câncer de tireoide, exames de imagem cada vez mais sensíveis podem detectar pequenos carcinomas indolentes, sobretudo papilíferos, que jamais se tornariam clinicamente relevantes. O tumor existe, portanto não se trata de erro do teste.
Falso positivo é outro fenômeno: o teste de rastreamento ou investigação vem positivo, mas a doença não é confirmada na avaliação diagnóstica subsequente. No sobrediagnóstico, a confirmação anatomopatológica pode ser inteiramente verdadeira. O dano decorre de transformar uma lesão biologicamente inofensiva em doença tratada, expondo a pessoa a cirurgia, reposição hormonal, complicações e ansiedade sem benefício clínico proporcional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A definição apresentada corresponde a falso positivo, porque o resultado inicial sugere doença, mas ela não é confirmada. No sobrediagnóstico, o diagnóstico é real.
B) Correta (gabarito). Sobrediagnóstico é identificar corretamente uma condição que não produziria sintomas nem morte durante a vida. A elevação da incidência sem redução paralela da mortalidade sustenta esse fenômeno em nível populacional.
C) Incorreta. Uma doença verdadeira que não causaria dano define sobrediagnóstico, não falso positivo.
D) Incorreta. A definição de falso positivo está correta, mas não explica o gráfico. A curva de incidência representa diagnósticos confirmados, e não apenas testes inicialmente alterados.