Paciente de 2 meses, sexo masculino, foi admitido no pronto atendimento após mãe ter notado que ele estava com os lábios arroxeados. Na admissão, encontrava-se arresponsivo, com perda de tônus muscular e com respiração superficial e hipoxemia, tendo sido prontamente iniciadas ventilações assistidas. O paciente havia recebido as imunizações previstas no calendário vacinal há cerca de 5 horas e teve febre precedendo o quadro. Após cerca de 5 minutos de suporte ventilatório, o paciente apresentou recuperação da respiração e do tônus, não sendo necessária entubação orotraqueal. Ao exame de reavaliação, estava corado, hidratado, FC: 150 bpm, FR 36 irpm, PA 73x40 mmHg, pulsos presentes e simétricos, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, com abertura ocular espontânea. Restante do exame clínico sem alterações.
A pegadinha central é confundir ausência de exames de rotina com ausência de notificação e acompanhamento.
Episódio hipotônico-hiporresponsivo combina hipotonia, hiporresponsividade e palidez ou cianose após vacinação.
Exames são guiados por sinais atípicos ou recuperação incompleta, não pela associação temporal isolada.
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Contexto
O episódio ocorreu cerca de 5 horas após as vacinas dos 2 meses e reuniu início súbito de hipotonia, hiporresponsividade e cianose, seguido de recuperação completa. Esse padrão é compatível com episódio hipotônico-hiporresponsivo, evento descrito principalmente nas primeiras 6 horas e até 48 horas após vacinas que contêm componente pertússis.
O diagnóstico é predominantemente clínico e exige exclusão de diagnósticos diferenciais sugeridos pela história ou pelo exame, como sepse, crise epiléptica, cardiopatia, distúrbio metabólico e evento respiratório. Após estabilização, retorno ao estado basal e exame normal, não existe indicação automática de eletroencefalograma, neuroimagem ou punção lombar.
O gabarito considera correta a ausência de exames adicionais entre as opções. Isso não significa ignorar vigilância. Conforme o Ministério da Saúde, um evento grave temporalmente associado à vacinação deve ser notificado como ESAVI e submetido à avaliação clínico-epidemiológica. Exames específicos são escolhidos apenas quando a evolução ou os achados levantarem outra hipótese.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. ECG e eletroencefalograma não são exames de rotina para todo episódio hipotônico-hiporresponsivo. Seriam direcionados por suspeita de arritmia, síncope ou epilepsia.
B) Incorreta. Ultrassonografia transfontanelar ou ressonância são reservadas para déficit neurológico persistente, alteração do perímetro cefálico, trauma, sinais de hipertensão intracraniana ou outra suspeita estrutural.
C) Incorreta. Punção lombar depende de suspeita de infecção do sistema nervoso central. Bordetella pertussis é investigada em síndrome respiratória compatível, especialmente tosse paroxística, e não no quadro isolado descrito.
D) Correta (gabarito). Com recuperação completa, exame normal e padrão clínico típico, não há necessidade de investigação complementar rotineira entre as alternativas. Permanecem indicadas observação clínica, notificação e orientação aos responsáveis.